Arte como força econômica: Caká de Cerqueira César ganha vigor na geração de novos negócios

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Criar, representar, pintar, musicalizar, captar imagens e escrever são atividades complexas, porém pouco associadas aos negócios. Negociar a venda de um terreno – ou de um automóvel – soa mais convencional do que vender um espetáculo de ópera, não? Contudo, para a produtora cultural e empresária Caká de Cerqueira César, executiva da La Musetta, investir na construção de um imóvel ou estudar a melhor estratégia para financiar a produção de um projeto cultural ou uma iniciativa esportiva não existe diferença. Se para erguer uma casa são necessários adquirir terreno, contratar mão-de-obra especializada e comprar materiais de construção, para a publicação de um livro – desde sua idealização, produção, lançamento e internacionalização – ou montar um espetáculo musical – da concepção das cenas, ensaios, estreia e promoção – a injeção de recursos previamente se faz necessária da mesma forma que requer um negócio convencional.
“O mercado da arte é como outro mercado, você analisa antes de aplicar recursos. Ao ter a certeza que o produto cultural – seja um livro, uma exposição ou um documentário – poderá chegar ao público fazendo a diferença, o investimento é feito e o risco assumido”, garantiu. Além de executiva da La Musetta, Caká César desenvolve atividades na área de mídia e mantém outros negócios em Marília (SP) em setores estratégicos.
Desde 2018, quando identificou que havia um amplo espaço para o negócio em artes, a empresária vem acumulando êxitos – tanto de público, quanto de retorno financeiro. Produções da La Musetta conseguiram incentivo fiscal, venceram editais de fomento público e obtiveram apoio do setor privado.

A empresária, recentemente, organizou e apoiou a participação da Miss Marília Gay, Valentina Veigga, interpretada pelo cabeleireiro Leandro Gustavo, no concurso Miss São Paulo Gay 2022. Valentina Veigga alcançou o título de Miss Simpatia. A La Musetta desenvolverá um documentário trazendo as trajetórias de drags queens de Marília que realizam a arte do transformismo e a solidariedade. O documentário, em fase de produção, ‘Drags e Santas’ também estará sendo interpretado com performances e shows.

Pré-produção

Antes de se inscrever num edital de fomento, por exemplo, a empresária analisa o potencial do produto cultural. Para tanto, possui uma equipe técnica composta por consultores que já exerceram cargos e funções estratégicas – tem até ex-secretário municipal de Cultura de grande cidade. O crivo técnico baliza os próximos passos e antes da apresentação do projeto à banca avaliadora, Caká escala toda uma estrutura que vai desde o registro de imagens, preparação dos artistas, consultorias jurídica, contábil e artística até a condução estratégica de todo o produto cultural. A La Musetta dispõe de uma estrutura que inclui assessoramento jurídico, assessoria de imprensa, geração de conteúdo editorial e mídia training. “Toda esta etapa é pré-produção, ou seja, ainda não entrou nenhum centavo do incentivo que estaremos pleiteando, seja ele via ICMS ou verbas públicas do Estado, Município ou da União. Ou seja, este investimento só será reposto se viermos a vencer o edital ou se tivermos o apoio privado”.

Um destes apoios do setor privado nasceu após a preparação e inscrição de Radius, a HQ de super-heróis criada pelo publicitário Tiago de Moraes Chagas. A HQ concorreu ao edital do Governo de São Paulo (Proac), mas para alavancar e dar o start inicial, a empresária investiu cerca de R$ 6 mil de recursos próprios recursos próprios. Foram valores revertidos na contratação de equipe técnica e artística, captação de imagens, trilha sonora, além de consultorias. O projeto alcançou boa pontuação Proac, contudo não houve a contemplação do incentivo. Com o projeto pronto, a empresária Caká de Cerqueira realizou novos incentivos, somando mais de R$ 8 mil – sendo a sua empresa, a La Musetta, uma das principais patrocinadoras do Radius – e o publicitário Tiago pôde colocar em curso o trabalho de captação de apoio de empresas e incentivadores. Resultado: os custos foram alcançados e a HQ finalizada agora está em fase de publicação. Também houve a cessão dos percentuais de valores do preço de capa alusivos à La Musetta nessa primeira edição, para que a HQ Radius pudesse chegar às bancas.

“Não há mistério: sem investimento o projeto artístico não acontece. Você tem que apostar sem perder o foco e nem a estratégia do negócio. O profissionalismo rege todo o nosso trabalho, pois a arte é uma matriz econômica que gera rendas, empregos e claro, recolhimento de impostos”, disse a empresária. Cada projeto liderado por Caká gera oportunidades de trabalho dentro de uma cadeia produtiva que inclui contadores, jornalistas, produtores de vídeos, bailarinos, músicos, assistentes administrativos, atores, atrizes, esportistas, artistas plásticos e fotógrafos, entre outros. Atualmente, a empresária está à frente de 25 projetos culturais e esportivos. São exposições, circulação de artes, musicais, documentários, romances, HQs, jiu-jitsu entre outros. “O papel de uma empresária da arte vai além da valorização do talento e do reconhecimento, é um papel que proporciona ao artista obter renda com sua própria arte e isso não tem preço, é a maior gratificação que se pode ter”.

Expertise e ousadia para investir

A ousadia da empresária no ramo das artes e projetos esportivos não é à toa. Antes, a empresária acumulou mais de duas décadas de expertise e vivência no mercado cultural e das artes. Produziu de eventos no Bourbon Street em São Paulo, que já recebeu nomes como B.B. King e Nina Simone, dirigiu projetos no Golden Green Golf Clube, no Rio de Janeiro, e produziu programas e eventos na Televisa, emissora do México, em Marília, realizou diversos projetos artísticos, sociais e esportivos para enriquecer a vida social e artística da cidade. É reconhecida no mercado e respeitada por sua metodologia de trabalho. Só no ano de 2021, a La Musetta realizou aportes e investimentos no negócio das artes na ordem de R$ 25 mil distribuídos entre oito projetos pilotos e agora, no primeiro semestre de 2022, foram alocados mais de R$ 50 mil reais em 25 projetos. Dentro os quais, seguem os oito primeiros pilotos, pois para a empresária Caká de Cerqueira César, as iniciativas não se resumem aos pilotos. “Os projetos da La Musetta sempre iniciam com um estudo detalhado do mercado, onde são curadas as iniciativas escolhidas para que sejam apresentadas no momento oportuno.


Com visão no mercado internacional, Caká está enfatizando novas frentes voltadas às artes plásticas e estuda a internacionalização de alguns de seus artistas representados. Outros já possuem espaços no Exterior, com exposições, a exemplo da fotógrafa Luciana Crepaldi e do artista naif Aloísio Dias da Silva. “Estamos estudando a inclusão de nossos representados em exposições no Exterior”, comentou.
Todas as nossas ações, ainda que na forma de projeto piloto, possuem estratégia de negócio para que se perpetue e desdobre em realizações exitosas. Cada projeto artístico La Musetta tem no mínimo três níveis de alcance: piloto para edital público, captação de fomento e, finalmente, promoção no setor privado. Na La Musetta, ‘casamos’ com os nossos projetos e nossos artistas, sem que os deixemos pelo caminho. Aqui ninguém fica para trás: projeto sonhado, é projeto realizado”, finalizou a empresária e diretora da La Musetta.

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