O Grupo de Apoio ao Doente de Câncer foi fundado há mais de 20 anos na cidade e transforma vidas de pacientes oncológicos.
por Andressa Vitorino
Em outubro de 2018, em um exame de rotina, Maria de Fátima, de 66 anos, descobriu um câncer de mama.
A doença não era novidade para ela, que há pouco tempo havia perdido seu pai para o câncer de fígado e já havia sido voluntária no Gmadc (Grupo Mariliense de Apoio ao Doente de Câncer). Com a descoberta, Fátima deu início a uma batalha em busca da cura.
“Descobri o câncer em um exame de rotina, que fazia todo o ano. A descoberta me deixou muito preocupada, porque conhecia muitas histórias do Grupo e já havia perdido meu pai.”, contou.
Da descoberta até o início do tratamento, tudo aconteceu muito rápido.
“Em outubro recebi o diagnóstico e em dezembro fiz a cirurgia da retirada da mama. Fiz 18 quimioterapias, uma vez por semana.” disse.

Depois da cirurgia, Fátima resolveu voltar para um lugar já conhecido.
“Tinha me afastado do Grupo de Apoio ao Doente de Câncer por um tempo, mas resolvi voltar. Ali senti que era o lugar ideal para a minha recuperação e para ter minha autoestima de volta. Tive muito apoio, amor e conviver com as pessoas me ajudou muito.”, relatou.
Ali, Fátima ajudava as pessoas a serem curadas e se curava também.
“O tratamento foi bastante agressivo… Fiquei sem chão quando soube, mas também confiei em Deus, para que me fortalecesse com a cura ou não. Passaram quase cinco anos e aprendi a viver um dia de cada vez, penso que para mim que tive o câncer e até para quem não teve, a vida sempre será uma caixinha de surpresa.”, explicou.
O tratamento e a doação da Fátima no Grupo de Apoio continuam.


“Ainda estou em acompanhamento até dezembro, e tenho esperanças de estar tudo bem e receber alta.”, finalizou.
Há mais de 20 anos, o GMADC (Grupo Mariliense de Apoio ao Doente de Câncer), atende pessoas com a doença na cidade. Atualmente o Grupo localizado na Rua Pernambuco, 753, atende 36 pacientes, sendo 17 idosos e 6 lutando contra o câncer de mama.
O grupo é formado por 49 voluntárias que se desdobram para arrecadar verbas e continuar realizando o trabalho de acolhimento.


Entre as voluntárias, um rosto se destaca… O de Maria Diva, de 90 anos, que doa grande parte do seu tempo para o projeto.


“Tudo o que fazemos aqui, Deus nos recompensa em dobro.”, disse.
O atendimento realizado pelo grupo é pensado para que aqueles que receberam o diagnóstico do câncer possam passar por essa batalha, com apoio e com a certeza de que não estão sozinhos.
“Nosso atendimento vai além do acolhimento, pensamos em todo o processo da descoberta até o tratamento. Acompanhamos e orientamos os pacientes, também distribuímos cestas básicas, legumes, bolachas…A cada mês buscamos oferecer algo novo. Realizamos palestras e quando o paciente não encontra o medicamento que precisa na farmácia, também compramos.”, explicou a assistente social, Natália Morelli.


“Não recebemos nenhuma doação fixa, a nossa maior renda vem dos artesanatos que as próprias voluntárias fazem e que vendemos. Também temos um bazar com roupas masculinas, femininas e infantil.”, continuou a assistente.







Mesmo sem uma doação fixa, o grupo se mantém firme e pronto para ajudar todas as pessoas que necessitarem.
“O câncer não afeta só a saúde, mas a relação com a família, com a autoestima. Não limitamos um tempo de ajuda, enquanto as pessoas precisarem, podem contar conosco. E quem estiver precisando de ajuda, pode nos procurar, só pedimos que a pessoa traga o laudo que comprove que está em tratamento médico e documentos pessoais para que possa passar pela triagem. Também estamos abertos para receber novas voluntárias, é só vir até o GMADC na Rua Pernambuco, 753. “, finalizou Natália.

Outubro é conhecido como o mês de prevenção ao câncer de mama. Segundo o Ministério da Saúde, este é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. O câncer de mama responde, atualmente, por cerca de 28% dos casos novos de câncer em mulheres.
O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, mas há tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos. É essencial realizar o check-up periódico, com consultas ginecológicas anuais.
As mulheres com 40 anos ou mais também devem fazer a mamografia todos os anos, que é uma grande aliada no diagnóstico precoce da doença. As imagens obtidas por esse exame conseguem mostrar a presença de nódulos em fases iniciais.
























