A criança frequenta a EMEF Prof. Reny Pereira Cordeiro
A mãe de um menino com TDAH severo e deficiência intelectual procurou o Diário de Notícias para denunciar situações de constrangimento envolvendo seu filho em uma escola municipal de Marília. Segundo ela, a criança frequenta a EMEF Prof. Reny Pereira Cordeiro desde a primeira série e sempre teve problemas, mas no decorrer dos anos, esses problemas se intensificaram.
“Meu filho, desde a primeira série, estuda nessa escola. No final do ano passado, conversei com a coordenadora e expus a vontade de readaptá-lo, mas ao ler as anotações dela e da professora auxiliadora que mostravam que ele tinha condições de acompanhar os demais alunos, deixei para conversar com a professora este ano, para adaptá-lo e conversar sobre o caso dele”, explica.
Ainda segundo a mãe, na última quinta-feira (22), outra mãe abordou-a e relatou que seu filho mencionou que a criança não conseguia falar na sala de aula e foi levado para a diretoria, sendo puxado pelo braço pela cuidadora, e que situações de constrangimento estariam sendo recorrentes no dia a dia escolar do menino, incomodando até mesmo outras crianças que participam da mesma sala.
“Na saída da escola, a mãe de outra criança me contou que seu filho tinha dito que na quinta-feira, a professora perguntou se todos haviam feito a tarefa e quando meu filho foi falar, ela disse que era para ele ficar quieto. Agora, como as crianças estão maiores, estão percebendo o que o meu filho sofre, que os próprios professores fazem bullying e riem dele”, contou.
“Foi falado as notas das provas e a professora disse que ia falar no particular a nota de cada um, mas quando chegou a vez do meu filho, ela gritou, falou alto a nota dele e as próprias crianças questionaram o porquê dela estar fazendo isso, já que ia ser falado pra cada um individualmente”, continuou. Ainda segundo a mãe, neste mesmo dia, o garoto foi puxado pelo braço até a diretoria, chorando.
“Procurei a diretora para falar do assunto, mas ela disse que essa situação não aconteceu, mas as próprias crianças confirmaram isso. Outros pais estão me mandando mensagem contando o que seus filhos sofreram e que precisaram tirar as crianças desta escola”, detalhou. Ainda segundo a mãe, várias conversas aconteceram entre ela e a diretoria escolar.
“Sempre conversei na escola, estou a par de tudo que envolve meu filho. Ele faz terapia, tenho tudo documentado. Não nego os problemas que ele tem, mas essa não é a forma correta de tratá-lo.”
A mãe abriu um boletim de ocorrência sobre o caso. “Fui até a Secretaria da Educação para tratar o assunto presencialmente, mas fui recebida pela diretora e por um advogado da prefeitura”, relata.
“Levo meu filho para ele ficar em segurança na escola, mas não é isso que está acontecendo. Pergunto de câmeras, mas não há. É difícil para eu provar o que está acontecendo, o que o meu filho está passando, até porque não estou lá e não posso colocar as outras crianças em situação constrangedora e expô-las. Perguntei ao meu filho por que ele não me contou que foi para a diretoria e ele disse que a professora pediu para ele não falar. É um absurdo o que está acontecendo, é preciso que haja uma sindicância nesta escola para saber o que está havendo”, finalizou.
O Diário de Notícias Marília procurou a Prefeitura, que, em nota, disse que nenhuma das situações relatadas aconteceu.
Confira a nota na íntegra:
O aluno está matriculado na EMEF Profª Reny Pereira Cordeiro desde 2020, quando entrou no 1° ano do ensino fundamental, oriundo da rede particular.
Durante esses anos todos, sempre foi atendido em suas necessidades educacionais e comportamentais, sendo desenvolvido pela equipe escolar um plano de metas e adequações no currículo, além de adequação nas rotinas para o aluno, visando seu desenvolvimento dentro de suas potencialidades. Semestralmente são reavaliadas as estratégias e as adequações do currículo e da rotina, frente às necessidades apresentadas por ele. Para isso, a escola sempre buscou a orientação e o apoio da equipe do CEMAEE e da Supervisão escolar.
Já no início da matrícula para o referido ano, a mãe foi atendida pela coordenação onde trouxe as situações de aprendizagem e necessidades especiais que envolviam a criança e todo o histórico de saúde e aprendizagem do mesmo. A coordenação explicou como se dariam os trabalhos relacionados ao desenvolvimento do aluno, uma vez que ele necessitaria de um currículo adaptado. Todas as vezes que a escola elaborava novas propostas para o aluno, a mãe era chamada na escola e comunicada sobre as mesmas.
Por várias vezes, a mãe foi chamada até à escola e, em outras, ela mesma nos procurou a fim de que pudéssemos, de forma colaborativa escola e família, desenvolver um melhor trabalho para o aluno. Em nenhum momento a escola questionou as terapias que ele realiza; ao contrário, sempre enfatizou que tais atendimentos são importantes na evolução do mesmo.
Esclarecemos também que todas as vezes em que a mãe foi até a escola, e inclusive até a secretaria da educação, sempre foi atendida e muito bem recebida, e sempre foi participado a ela que estratégias seriam utilizadas para que, da melhor forma, pudessem potencializar o desenvolvimento escolar do aluno.
O aluno é atendido na sala de AEE (Atendimento Educacional Especializado) durante o horário de aula, uma vez por semana.
Esclarecemos que, durante todos esses anos do aluno na escola, em nenhum momento houve maus tratos com relação à criança. Sempre foi muito acolhido por toda a equipe escolar, sendo que, inclusive, a criança tem o auxílio de um estagiário de pedagogia durante todas as atividades escolares.
Com relação ao referido fato, de que a professora teria gritado e humilhado o aluno, inclusive com notas, isso nunca ocorreu. Logo após a queixa da mãe, no dia seguinte, a direção chamou os responsáveis pelo atendimento em sala para esclarecer o fato. A criança apresenta dificuldades em manter a rotina e, nessas ocasiões, quando fica muito ansioso ou estressado, é solicitado que a estagiária o leve para lavar o rosto, ir à biblioteca ou outro espaço externo para diminuir sua angústia no espaço da sala de aula que é fechado. Possui dificuldades em estabelecer rotinas, mas essas estão sendo retomadas devido ao início do ano letivo. Ainda, foi esclarecido que o aluno não foi puxado pelo braço, uma vez que essa não é orientação para remanejamento de conduta. Afirmando ainda que não houve tais situações, e que já esclarecido, a escola se encontra aberta para que a mãe possa ir até lá tratar de assuntos pertinentes ao seu filho, uma vez que se trata de menor de idade.
Esclarecemos ainda que o aluno demonstra grande potencial para aprender, contudo há necessidade de auxílio da família na regulação do comportamento e ansiedade.
ATT, Direção e Coordenação da EMEF “Profª Reny Pereira Cordeiro”

























