por Ana Carolina Santiago
Desde a minha mais tenra idade, ouço poemas, histórias e estórias. O encanto pelas palavras teve início, primeiramente, no meu lar e, depois, no ambiente escolar. Saber ler e escrever foi, é e sempre será uma das conquistas mais importantes, pois é com o aperfeiçoamento dessas práticas que as pessoas conseguem tornar sonhos e projetos reais.
Nos primeiros anos de escola, identifiquei-me com poemas e não parei mais de ler e de escrever. E assim, tornei-me poetisa. Hoje sou professora, portanto, ler e escrever são partes da minha vida diária.
Em uma das minhas leituras de deleite este ano, escolhi o livro “Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século”, seleção de José Nêumanne Pinto. Este nos apresenta Mário Quintana entre os melhores poetas do Modernismo. Fui conhecer um pouco mais sobre a história dele.
Mário Quintana nasceu em 30 de julho de 1906, em Alegrete (RS), e escreveu sobre diferentes temas. Os mais recorrentes em sua obra são o tempo, a vida, a morte, o amor, a natureza e a solidão. Seu texto é marcado pela simplicidade e pela liberdade de criação; produziu versos livres e outros seguindo a metrificação de sonetos.
Quintana, por meio de seus poemas, apresenta ao leitor o tempo ora efêmero, ora eterno, e isso é algo muito poético, belo e significativo. Indico a leitura de alguns destes que nos levam a pensar poeticamente sobre algumas atitudes corriqueiras: “O Bilhete”, “Das Ideias”, “O Poema”, “Das Utopias”, “Seiscentos e Sessenta e Seis”, entre outros.
Faleceu no dia 5 de maio de 1994, em Porto Alegre, no mesmo Rio Grande do Sul onde nasceu. Morreu de insuficiência cardíaca e respiratória. Além de um grande poeta, trabalhou como tradutor e jornalista. Entre as muitas obras publicadas, teve dezenas de antologias publicadas no Brasil e outras no exterior.
Faz 31 anos que ele nos deixou, mas seus poemas ainda são leituras primordiais e inspiração para outros escritores. Seu “O Poeminha do Contra” nos diz assim: “Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho. Eles passarão. Eu passarinho”. Este verso conduz os leitores a várias interpretações. Atrevo-me a pensar na leveza do passarinho, na liberdade que temos de não sermos pesados a ninguém. Com base nesta minha análise sobre o que poderia ser o “eu passarinho”, anos atrás, acabei escrevendo um poema: “Leve como um beija-flor”:
Leve e lindo
Como um beija-flor
Deve ser nosso caminhar
Dar aquelas paradinhas
E depois continuar
Admirar a natureza
Não jogar nosso peso
Em cima dela
Mas ser parte
Do que a torna mais bela
Que nossos atos na terra
Sejam lembrados
Que nossos movimentos
Sejam cheios de ternura
Um dia nós vamos
E a vida continua
Ao observar a descrição simples e precisa da realidade que algumas das obras de Mário Quintana nos trazem, fico tão impressionada e convicta de que ele verdadeiramente é um dos mais importantes poetas brasileiros.
Ele nos deixou uma grande riqueza cultural por meio de suas palavras, que nos levam a ter uma vida cheia de ternura e aconchego, e de conservar o hábito da leitura. Isso porque, em um de seus textos, com o título “O que acontece com as crianças”, se preocupa em dizer que a criança de hoje não lê. E em outro, que escreve aos pais, que são aqueles que deveriam incentivar os filhos a ler, apresenta a triste realidade: falta de hábito de leitura destes também.
Assim sendo, fazer boas leituras e incentivar nossas crianças a ler é essencial, uma vez que a leitura fez e ainda faz a diferença na vida de todos nós.
Ana Carolina Santiago é professora, poeta e escritora, autora do livro ‘Poemas e Histórias Rimadas’, (Editora Autografia)

























