Operação policial desarticula esquema de remédios falsificados com desdobramentos em Marília

Uma ofensiva conjunta conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em Marília como parte da segunda fase da Operação Laziosi. A ação nacional visa desmascarar uma rede criminosa voltada à falsificação de medicamentos de alto custo — com foco em tratamentos oncológicos — e a esquemas de lavagem de dinheiro.

Na cidade, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) ficou responsável por executar as ordens judiciais em dois endereços. Durante as diligências, um morador apontado como suspeito de atuar como “laranja” — cedendo o nome para mascarar as operações do grupo — foi localizado, conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos e posteriormente liberado.

Em âmbito geral, a Justiça expediu três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, atingindo alvos em municípios como Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista. A ordem judicial também determinou o bloqueio de cerca de R$ 15 milhões em ativos pertencentes aos suspeitos, empresas associadas e terceiros envolvidos, além de impor a suspensão das atividades de sete companhias suspeitas de participação no esquema.

Origem das investigações

O caso veio à tona em 2024, quando um laboratório farmacêutico notou a circulação de uma versão adulterada de um medicamento imunoterápico de alto preço fornecido a um hospital paulista por uma distribuidora sediada em Araraquara. Laudos periciais comprovaram que os frascos não continham o princípio ativo necessário.

A primeira fase da operação, deflagrada em novembro daquele ano, apontou que a empresa utilizava uma fachada sem estrutura real para emitir notas fiscais volumosas. Somente em um período de dez meses, o esquema movimentou mais de R$ 1,5 milhão em vendas direcionadas a hospitais e clínicas de ao menos sete estados brasileiros.

As investigações avançaram e revelaram que, mesmo após o cerco inicial, a distribuidora seguiu comercializando produtos irregulares. Em abril de 2025, um hospital do interior paulista adquiriu lotes falsificados de outro fármaco oncológico. Uma das doses chegou a ser administrada em um paciente antes que o restante fosse recolhido e substituído por frascos com histórico de carga roubada em Minas Gerais.

A nova etapa da Operação Laziosi busca estancar de vez a circulação desses produtos nocivos à saúde pública, proteger pacientes em tratamento contra o câncer e recuperar o patrimônio obtido ilicitamente para ressarcimento e sanções legais.

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