Trinta e seis anos depois do vazamento de Chernobyl, radioatividade volta atemorizar

por Caká de Cerqueira César

No ano de 2020, como produtora cultural, recebi em mãos um projeto de história-em-quadrinhos (HQ) intitulado ‘Radius’. Nesta trama, o protagonista havia sofrido mutações por causa da radioatividade. De imediato me identifiquei com o tema, justamente por familiaridade com os efeitos e impactos provocados por um dos maiores acidentes nucleares da nossa história: o incidente em Chernobyl, ocorrido entre 25 e 26 de abril de 1986, 36 anos atrás. Como fui casada com um ucraniano, pai da minha primogênita, nascido em Chernigov, cidade localizada somente a 77 quilômetros do vazamento, convivi de perto com várias consequências que os ucranianos amargam por conta desse terrível acidente. Como disse, imediatamente me sensibilizei com o tema. Considerei altamente pertinente uma obra que abordasse tudo isso. Sendo assim, atualmente, além de trabalhar em minhas produções culturais, entre elas a da HQ Radius, frequentemente venho falando com familiares e amigos ucranianos, tentando levar esperança e conforto nessa fase trágica que o país enfrenta.

Quando se completou o primeiro mês da invasão à Ucrânia pela vizinha Rússia, em março – agora já são dois meses de ataque – a Coréia do Norte realizou um teste nuclear. Aliás, o regime do ditador Kim Jong – aliado do presidente russo Vladimir Putin – colocou em prática 30 dias após as atrocidades russas à nação ucraniana o maior disparo de um míssil intercontinental com capacidade nuclear. Uma enorme guerra mundial, alguns holocaustos, e duas cidades japonesas devastadas por artefatos atômicos – sem contar o acidente com o césio 137 em Goiânia, no Centro-Oeste brasileiro nos anos de 1980 – separam estes dois momentos: 16 de julho de 1945 e 26 de abril de 2022, quando se completam 36 anos do vazamento de Chernobyl. O 16 de julho de 1945, em plena II Guerra Mundial é, digamos assim, o marco-zero da explosão nucelar. Neste dia, no deserto do Novo México, Estados Unidos, o físico alemão Robert Oppenheimer – parceiro do cientista alemão Albert Einstein – observou sua ‘engenhoca’ explodir. O primeiro teste nuclear da história incluiu uma bomba de plutônio que iluminou as montanhas daquele deserto com a mesma intensidade de 20 mil toneladas das ‘inocentes’ dinamites de TNT. O barulho foi ouvido a 160 quilômetros de distância e a areia do chão do ponto zero da explosão virou vidro. Antes da ‘engenhoca’ exalar sua fumaça macabra em forma de cogumelo a 12 quilômetros de altura, um terceiro alemão já estava na parada da física quântica: Max Planck 45 anos antes tinha lançado as bases da teoria quântica. Descrever fenômenos em escalas diminutas não significou perigo para o mundo. Mas no momento em que Einstein mostrou que certos materiais emitem elétrons quando atingidos por radiações eletromagnéticas – como a luz – um aviso de alerta ecoou.

Isso porque quando se quebra o núcleo de um átomo em duas partes, há a liberação de uma dose cavalar de energia. Sobreviventes da primeira bomba atômica utilizada num confronto, a de Hiroshima, em agosto de 1945, contam que as águas do Mar Interior, que banham a cidade, ferveram. Isso porque a ‘Little Boy’, a primeira das duas bombas atômicas despejadas pelos EUA no Japão, gerou uma explosão cujo calor bateu 5,5 milhões de graus centígrados. Essa é a mesma temperatura do nosso sol.

As armas nucleares produzidas a partir de 1945 até os dias de hoje são, segundo a Imprensa internacional, infinitamente mais potentes e perigosas do que as que devastaram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Desde a primeira explosão provocada pela Rússia de Putin na Ucrânia – que é o berço da formação do povo russo – a tensão para a eclosão da III Guerra Mundial seguido de uma hecatombe nuclear não para de aumentar. Mas, a energia nuclear só existe para nos tirar a paz e provocar medo? Cabe como resposta o não, pois não é apenas de acidente radiológico em solo brasileiro – como o de 1987 em Goiás – ou a catástrofe de Chernobyl, em 1986, que deixou parte da região norte da Ucrânia inabitável por 20 mil anos – que se faz a radioatividade na Terra. Reatores nucleares foram criados para dar facilidades à humanidade e não para destruí-la. O famigerado césio 147, que provocou o incidente em Goiânia, estava contido num equipamento utilizado para o tratamento de câncer. A radioterapia é uma das armas letais contra os tumores malignos. Portanto, um dos benefícios da quebra do átomo para a vida é combater o câncer. O inverno na Ucrânia, assim como em outros lugares da Europa, é rigoroso demais. E, por lá, não existem rios com força suficiente para gerar energia hidroelétrica. Sendo assim, sem a geração de energia nuclear para o aquecimento dos lares, tudo ficaria horrível. A radioatividade que aquece e ilumina vem de reatores nucleares que funcionam como verdadeiras panelas de pressão com a função de produzir megawatts que abastecem cidades, empresas, escolas e hospitais.

Como diz aquele ditado: ‘a diferença entre o remédio e o veneno está na dose, e assim pode-se compreender a radioatividade’. Dentro da ficção, tirando os filmes e os romances que tratam o assunto de forma direta ou indireta, servindo de cenário para mundo pós-apocalíptico, a presença da radioatividade com força infinita está na novela gráfica ‘Watchmen’, através do personagem ‘Dr. Manhattan’, de Alan Moore e Dave Gibbons. ‘Dr. Manhattan’ cria qualquer coisa ao quebrar e remodelar átomos de tudo.

O super-herói Radius, da HQ brasileira ‘Radius’, é outro exemplo da positividade transformadora da energia nuclear. Embora tenha sofrido uma grave mutação por uma experiência conduzida no laboratório do Doutor Otium, a força nuclear do personagem Lukas Xagas é totalmente utilizada para o bem. E este massacre, que não tem nada de fictício, e que provocou em 60 dias 46 mil mortes, 12 mil feridos, 400 pessoas desaparecidas, 1,8 mil edifícios destruídos, 13 mil pessoas desabrigadas e um prejuízo de 565 bilhões de dólares (dados da agência internacional Reuters), tem que terminar imediatamente. É por isso que nós da equipe da HQ Radius clamamos pelo término sumário da invasão russa ao solo ucraniano!  

Caká de Cerqueira César é empresária, produtora cultural e jornalista, executiva da La Musetta Arte ao Mundo e editora da HQ Radius

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