Maria Kodama criou a Fundação Internacional Jorge Luís Borges, considerado um escritor muito além de seu tempo
Morreu aos 86 anos de idade, em decorrência de um câncer, a escritora e tradutora Maria Kodama, em 26 de março, em Buenos Aires, capital da Argentina. Viúva do famoso escritor argentino Jorge Luís Borges, do qual foi herdeira universal e colaboradora de suas obras. No Twitter, seu advogado, Fernando Soto, lamentou a perda: “Agora entrarás no ‘grande mar’ com o teu querido Borges. Descansa em paz, María”, escreveu.
Borges era aclamado pela crítica literária acadêmica como um dos maiores poetas, ensaístas e contista de seu tempo. Autor das obras emblemáticas, a exemplo de “Ficções” e “O Aleph”, também faleceu aos 86 anos em decorrência de câncer, em junho de 1986 em Genebra, na Suíça. Sua morte ocorreu após dois meses de casado com Kodama.
Mesmo doente, nunca deixou que sua paixão pelas letras apagassem, escrevendo sua última obra “La divisa punzó”, em colaboração com a escritora Claudia Farias Gómez, onde revive a história de Juan Manuel de Rosas, um grande e polêmico caudilho federal do Século XIX.
O relacionamento de Kodama e Borges floresceu quando identificaram um amor em comum pela língua inglesa, anglo-saxão antigo e o islandês. O escritor a conheceu quando ela tinha 16 anos e estudava Literatura, seu pai a tinha levado para uma conferência do autor. Inicialmente Kodama foi aluna, assistente particular, amiga e por fim esposa. A diferença de idade entre os dois era de 38 anos, mas isso nunca abalou a jovem, onde deixava claro sua admiração e amor pelo esposo nas entrevistas dadas.
Por conta do talento nato, Borges recebeu inúmeros prêmios como o Formentor, em 1961 (com Samuel Beckett), e o Miguel de Cervantes, em 1979. Entretanto, nunca recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, mesmo sendo candidato várias vezes. Como única herdeira e companheira inseparável, em 1988 Kodama fundou a Fundação Internacional Jorge Luis Borges, administrando os bens do escritor e divulgando suas obras para que jamais fossem esquecidas. Em vida, a guardiã desejava que o patrimônio cultural fosse entregue a duas universidades estrangeiras, uma americana, na qual Borges havia ministrado uma palestra, e outra japonesa, onde ensinavam espanhol e as obras do escritor.



























