Militares queriam envenenar Lula, Alckmin e Moraes e monitoraram passos de autoridades, informa Polícia Federal

Foi identificada a existência de um detalhado planejamento operacional, denominado ‘Punhal Verde e Amarelo’

O plano para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recém-eleito para o mandato de 2023-2026, incluía morte por envenenamento, informou a Polícia Federal nesta terça-feira, dia 19 de novembro de 2024. De acordo com a investigação da PF, Lula passou a ser monitorado em novembro de 2022, poucos dias após ser eleito nas urnas para o seu terceiro mandato à frente da presidência da República. Os golpistas queriam também matar o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Foi identificada a existência de um detalhado planejamento operacional, denominado ‘Punhal Verde e Amarelo’, que seria executado no dia 15 de dezembro de 2022, voltado ao homicídio dos candidatos à Presidência e Vice-Presidência da República eleitos”. Os criminosos também planejavam restringir o livre exercício do Poder Judiciário. “Ainda estavam nos planos a prisão e a execução de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que vinha sendo monitorado continuamente, caso o golpe de Estado fosse consumado”, destacou a PF.

Em operação deflagrada em fevereiro, a PF já investigava um grupo que atuou na tentativa de golpe de Estado e que monitorava o ministro Alexandre de Moraes. “O planejamento elaborado pelos investigados detalhava os recursos humanos e bélicos necessários para o desencadeamento das ações, com uso de técnicas operacionais militares avançadas, além de posterior instituição de um ‘gabinete institucional de gestão de crise’, a ser integrado pelos próprios investigados para o gerenciamento de conflitos institucionais originados em decorrência das ações.”

Operação Contragolpe

A Operação Contragolpe já cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, e cumpre ainda três mandados de busca e apreensão e 15 medidas cautelares diversas, que incluem a proibição de manter contato com demais investigados; a proibição de se ausentar do país, com entrega de passaportes no prazo de 24 (vinte e quatro) horas; e a suspensão do exercício de funções públicas. O Exército Brasileiro acompanhou o cumprimento dos mandados, que estão sendo efetivados nos estados do Rio de Janeiro, de Goiás e do Amazonas, além do Distrito Federal.

“As investigações apontam que a organização criminosa se utilizou de elevado nível de conhecimento técnico-militar para planejar, coordenar e executar ações ilícitas nos meses de novembro e dezembro de 2022. Os investigados são, em sua maioria, militares com formação em forças especiais”, destacou a PF em nota. Os fatos investigados, segundo a corporação, configuram crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

Os alvos da PF nesta primeira fase da operação incluem o general da reserva e ex-assessor da Presidência da República no período de Jair Bolsonaro (PL), Mário Fernandes, e três militares integrantes dos ‘kids pretos’, um grupo altamente treinado para atuar em missões sigilosas e em ambientes hostis e politicamente sensíveis – uma espécie de seals brasileiros: Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo. O policial federal envolvido na operação que pretendia matar Lula, Alckmin e Moraes é Wladimir Matos Soares.

Kids pretos

Os “kids pretos” — também chamados de “forças especiais” (FE) — são militares da ativa ou da reserva do Exército, especialistas em operações especiais. São similiares aos seals da Marinha norte-americana – elite de soldados altamente treinados para suportar até mesmo torturas. Os Navy seals, por exemplo, foram responsáveis pela antológica operação realizada no Paquistão para eliminar o terrorista Osama Bin Laden, em 2011.

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