Nova obra do professor Guilherme Pigozzi Bravo, lançada pela Dialética, explora o período de 1930 a 1935 para entender o impacto do movimento na questão agrária brasileira
por Ramon Barbosa Franco
Em mais de 240 páginas, o professor de história Guilherme Pigozzi Bravo mergulha no impacto do tenentismo, movimento político iniciado na Velha República, na redistribuição do poder no campo e meio rural brasileiro. Sua nova obra, intitulada ‘Em guarda contra o latifúndio’, publicada pela editora Dialética, faz um recorte histórico que vai de 1930 a 1935, focando no período pós-Coluna Prestes-Miguel Costa, a icônica marcha de mais de 25 mil quilômetros liderada pelos militares Miguel Costa e Luís Carlos Prestes, o ‘Cavaleiro da Esperança’.
“Ao cruzarem o Brasil de ponta a ponta, os tenentes que integravam a coluna tomaram pé de uma realidade até então pouco conhecida para eles. Passaram por todos os Estados e testemunharam a estrutura organizacional do campo, vendo com os próprios olhos toda a concentração de terra e de poder”, explicou o professor. Essa imersão profunda na realidade brasileira provocou o que Pigozzi Bravo chama de ‘ver o Brasil de fato’. Líderes políticos surgidos do tenentismo, como o próprio Prestes, Juarez Távora e Osvaldo Cordeiro de Farias, foram sensibilizados pelas condições precárias do homem rural brasileiro.
“Parte do movimento, então, defende a mudança, inclusive pensam numa ampla reforma agrária radial. Entretanto, uma ala centrista acaba compondo com o governo Vargas, que adota uma política do campo dentro de uma reorganização menos impactante, inclusive com colonização e assentamento”, analisou Pigozzi, que possui mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela Unesp de Marília.
Um dos pontos cruciais do estudo científico é o movimento conhecido como Aliança Nacional Libertadora, deflagrado em 1935, que culminaria no que o presidente Getúlio Vargas – e parte da imprensa da época – chamou de Intentona Comunista. “À época, o movimento liderado por Prestes – já convertido ao comunismo e que estava de volta ao Brasil desde 1934, vindo da então União Soviética – foi maximizado pelo presidente Vargas para que lhe ampliasse os poderes de repressão, uma vez que houve uma tentativa de golpe de Estado”, detalhou o autor.
Naquele momento, Vargas explorou o medo do comunismo para combater a “ameaça vermelha” utilizando o aparato estatal, o que, mais tarde, em 1939, levaria à criação do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), consolidando o arcabouço autoritário da ditadura da Era Vargas.
O tenentismo, que havia nascido em 1922, teve seus caminhos cruzados com Vargas já em 1930, quando o então líder da Revolução de 1930 tentou atrair Prestes para seu lado. “Contudo, Prestes já havia assimilado os estudos e a causa comunista”, contextualizou Pigozzi. Após liderar a Coluna ao lado de Miguel Costa, Luís Carlos Prestes – que viria, mais tarde, a ser eleito senador e deputado federal – exilou-se na Bolívia, onde parte dos 1.200 homens da marcha também se refugiou. “Essa marcha foi muito pedagógica para Prestes”, conclui o professor Guilherme Bravo.
‘Em guarda contra o latifúndio’ é uma leitura indicada para saber mais sobre os primeiros anos do Brasil republicano e o desdobramento político e social da marcha da coluna Prestes. Interessados, podem adquirir exemplares com o próprio autor, através do Instagram @guipbravo – basta enviar um direct.

























