Escritoras lançam obras contra a violência de gênero e novidades literárias na Bienal do Livro de São Paulo

Com o fim da 28ª edição do evento literário no Anhembi, a AJEB-SP celebra o sucesso de seis lançamentos que combateram a violência de gênero e exploraram do luto infantil ao suspense psicológico

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, encerrada recentemente no Anhembi, tornou-se o palco ideal para a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-SP) demonstrar o impacto do protagonismo feminino na literatura contemporânea e na preservação da memória de suas autoras. 

Frente aos alarmantes índices de feminicídio e violência contra a mulher no país, a entidade transformou a escrita em instrumento de denúncia social ao lançar a coletânea ‘Paulistânea: Não podemos nos calar’, obra coletiva desenvolvida pelas escritoras da seccional paulista para romper o silêncio e combater ativamente a opressão de gênero. Além da denúncia social coletiva, a literatura de ficção individual trouxe obras densas e envolventes que exploraram os sentimentos e mistérios da experiência humana. 

A jornalista, editora e presidente da AJEB-SP, Solange Sólon Borges, apresentou o premiado livro de contos ‘Janelas abertas para uma canção desesperada’ (Editora O Artífice), focado na profundidade e nas contradições emocionais do indivíduo. No campo do suspense infanto-juvenil, a psicóloga clínica e psicopedagoga Nancy Alcântara lançou ‘Vaga-lumes em potes de vidro’ (Oficina do Livro), uma trama ambientada nos anos 70 que envolve a investigação de silêncios inexplicáveis vividos por uma adolescente imersa em transformações sociais, políticas e corporais. 

Já a bióloga e pedagoga Claudia Vecchi-Annunciato trouxe o suspense psicológico ‘O Procrastinador’ (Selo Escritoras Brasileiras, Editora Polifonia), no qual o personagem Léo assiste ao mundo apenas por monitores preso em um quarto, enfrentando a angústia de tomar uma atitude e dar o primeiro passo para sua própria fuga diante de uma situação-limite. 

As publicações dedicadas ao público jovem e às famílias também ganharam papel central na programação da associação, abordando temas sensíveis e de autoconhecimento com extrema delicadeza. Solange Sólon Borges levou à feira o título infantojuvenil ‘O curioso pirata Tavinho – quando uma criança se vai’ (Editora O Artífice), publicação voltada para consolar e esclarecer famílias que atravessam a dolorosa perda de uma criança em tenra idade. 

Fechando o conjunto de lançamentos, Claudia Vecchi-Annunciato apresentou o conto de fadas moderno ‘Miramar’ (selo Tagarela, Editora Polifonia), narrativa infanto-juvenil que acompanha a jornada de Miramar — jovem silenciada por um homem invejoso e transformada em gata —, abordando liberdade, identidade e a riqueza da biodiversidade brasileira. 

Fundada em 1970 e somando mais de 700 integrantes em 20 estados, a AJEB reafirmou em São Paulo a força da união entre jornalistas e escritoras de diferentes origens e carreiras.

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