Academia de Letras de Marília retoma atividades após mais de 40 anos

Posse dos novos acadêmicos aconteceu no sábado, 22 de agosto, no auditório Octávio Lignelli, no complexo cultural Braz Alécio

Com a presença da secretária municipal de Cultura, Taís Vanessa Monteiro, e do vereador Wilson Damasceno, 17 novos integrantes tomaram posse na Academia de Letras de Marília (ALM), marcando oficialmente o renascimento da instituição após mais de 40 anos de inatividade.

A Academia foi fundada em 4 de abril de 1978 por dez escritores que participaram de um concurso literário promovido, na época, pelo Departamento de Cultura da Prefeitura de Marília. Entre os fundadores estavam os irmãos José Henrique e Luiz Fernando Guimarães Ortega, ambos presentes à solenidade. Luiz Fernando foi eleito e empossado como presidente da ALM nesta nova fase da entidade.

O jornalista Ramon Barbosa Franco, um dos novos acadêmicos, foi o mestre de cerimônias e abriu a solenidade destacando a trajetória histórica das academias de letras. Ele lembrou que, em 1635, o cardeal Richelieu fundou, em Paris, a Académie Française, instituição que se tornou referência e modelo para academias de letras em diversas partes do mundo.

Segundo Ramon, a missão de preservar e valorizar a língua, a literatura e o pensamento de uma nação atravessou séculos e continentes até chegar ao Brasil. Em 1897, um grupo de intelectuais fundou a Academia Brasileira de Letras, tendo à frente Machado de Assis, que se tornou o primeiro presidente da instituição e permaneceu no cargo até sua morte, em 1908.

Ramon também destacou a participação de Lúcio de Mendonça, a quem é atribuída a ideia original de criação da Academia Brasileira de Letras, e de Joaquim Nabuco, diplomata e destacado homem de letras, que contribuíram decisivamente para a concretização do projeto.

A solenidade contou ainda com a participação da presidente de honra da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec), Rosalie Gallo y Sanches, que parabenizou os novos acadêmicos e destacou o trabalho desenvolvido pela entidade de São José do Rio Preto. Rosalie presenteou a diretoria da ALM com diversos livros e disse que a Arlec, por meio de sua presidente, Loreni Fernandes, se colocava à disposição de todos para realização de parcerias e trabalhos em conjunto.

Para a secretária Taís Monteiro, a retomada das atividades da Academia de Letras de Marília representa um marco importante para a cultura e para a sociedade do município. O vereador Wilson Damasceno também manifestou seu apoio à instituição e se colocou à disposição para encaminhar, na Câmara Municipal, propostas que possibilitem a destinação de recursos para o desenvolvimento de projetos culturais promovidos pela Academia.

Ao assumir a presidência, Luiz Fernando Guimarães Ortega justificou a ausência de Benjamin Soares de Azevedo, que estava em viagem, e ressaltou sua importância para a história da entidade. Benjamin é considerado presidente de honra da ALM, pois ocupava a função de coordenador de Cultura do município quando a Academia foi criada.

Durante a cerimônia, foi realizado um minuto de silêncio em homenagem aos acadêmicos que, ao longo dos anos, faleceram e deixaram sua contribuição para a história da instituição.

Emoção na posse dos novos acadêmicos

A diplomação dos novos integrantes foi marcada por momentos de emoção, especialmente durante as homenagens aos patronos e patronesses escolhidos para representar cada cadeira.

A bibliotecária Zery Monteiro, casada com um professor peruano, tia da atual secretária municipal de Cultura, autora de quatro livros infantis e atualmente residente em Maringá (PR), emocionou-se ao retornar à sua terra natal para participar da retomada da Academia e colocar seu trabalho à disposição do desenvolvimento da instituição.

A escritora Maria Mortatti, professora da Unesp (Universidade Estadual Paulista), presidente emérita da Associação Brasileira de Alfabetização (ABAlf) e vencedora do Prêmio Jabuti, destacou a ligação entre sua terra natal, Araraquara, e Marília. Em sua manifestação, lembrou a trajetória de Bento de Abreu Sampaio Vidal, importante líder político, coronel e cafeicultor que teve atuação de destaque em Araraquara, onde também presidiu a Câmara Municipal e participou do processo de modernização da cidade. O nome de Sampaio Vidal, assim como em Marília, permanece perpetuado em vias públicas e logradouros de Araraquara.

O jornalista Márcio Cavalca Medeiros, eleito secretário-geral da ALM, aproveitou a solenidade para homenagear seu pai, Marcelino Medeiros, considerado um dos mais influentes radialistas de sua época e pioneiro na implantação da frequência modulada (FM) no Brasil.

A bibliotecária Wilza Matos escolheu como patronesse a professora Rosalina Tanuri e recordou momentos vividos ao lado dela na Comissão de Registros Históricos da Câmara Municipal. Wilza destacou que o próprio auditório onde ocorreu a cerimônia lhe trouxe boas lembranças da professora.

O jornalista Nelson Gonçalves escolheu como patrono seu antigo empregador, o também jornalista Anselmo Scarano, diretor-proprietário do antigo jornal “Correio de Marília”. O neto do homenageado, Anselmo Scarano Neto, esteve presente à solenidade e demonstrou grande emoção diante da homenagem prestada ao avô.

O publicitário Adriano Conca Patriani escolheu como patrono o jornalista José Arnaldo Bravos e afirmou sentir-se honrado por integrar essa nova geração da Academia de Letras de Marília. O escritor e poeta Mário Milani homenageou Luiz Rossi e lembrou que teve a oportunidade de colaborar na edição de um dos livros de seu patrono.

Já o desenhista Tiago de Moraes das Chagas, criador do personagem Pitoco, escolheu como patrono Maurício de Sousa, um dos maiores nomes dos quadrinhos brasileiros e criador de personagens que marcaram gerações.

Ao longo da cerimônia, todos os novos acadêmicos tiveram a oportunidade de falar sobre os patronos e patronesses escolhidos para suas respectivas cadeiras, resgatando histórias, trajetórias profissionais e vínculos pessoais que reforçam o significado da retomada da Academia de Letras de Marília.

[Fonte: Jornal Folha 2, da região Metropolitana de São José de Rio Preto]

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