Língua Portuguesa perde o escritor Dalton Trevisan, vencedor do Camões e do Jabuti

Escritor brasileiro de 99 anos era recluso e até mesmo a notícia de seu falecimento foi discreta em Curitiba, onde há décadas vivia. 

O Brasil e a Língua Portuguesa perderam o maior escritor em atividade: o curitibano Dalton Trevisan, aos 99 anos. Exigente contista e narrador preciso, Trevisan era discreto, fugia dos holofotes da imprensa e odiava ser fotografado, ou dar entrevistas. Por anos viveu no mesmo endereço em Curitiba, numa casa de esquina nas proximidades do campus da Universidade Federal do Paraná. Até mesmo na vizinhança era desconhecido, preferindo o anonimato para prosseguir com sua ficção.

Vencedor dos principais prêmios do idioma português, o Camões e o Jabuti, Trevisan se mantinha em atividade e nos últimos meses vinha trabalhando numa nova antologia que seria publicada pela editora Todavia, que adquiriu seus direitos autorais. ‘O vampiro de Curitiba’, seu apelido desde 1965 quando lançou um livro com este nome, não teve a causa da morte divulgada nem pela família e nem pela Prefeitura de Curitiba. Aliás, o obituário dele entrou e saiu do site oficial da capital.

Sua última entrevista foi concedida no ano de 1972. Jamais comparecia às solenidade dos prêmios literários que recebeu. Escreveu mais de 50 obras, entre elas os livros de contos ‘Novelas nada exemplares’, de 1959, e o romance ‘A polaquinha’, de 1986. Em 2012, por unanimidade, recebeu o Prêmio Camões – o Nobel da Literatura Portuguesa. Até ontem não havia sido encontrado pela organização para ser comunicado do prêmio. O Camões é concedido pelos governos do Brasil e de Portugal.

Nascido em 14 de junho de 1925, passou a maior parte de sua vida em Curitiba, capital paranaense. A seu pedido, o velório será aberto ao público. Trevisan deixou uma filha e duas netas. Para muitos críticos e leitores – dada à longevidade produtiva e genialidade na arte do conto – Dalton era até então o maior escritor de Língua Portuguesa vivo.

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