Mais um projeto de tratamento com cannabis auxilia mães e crianças atípicas

Enquanto Santa Catarina prende família sob acusações de tráfico, em Marília movimento tem apoio do presidente da Câmara 

Mais um projeto que ajuda crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está avançando no Brasil, também atendendo a quem tem Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDHA). Desta vez em Fernando de Noronha, o tratamento com canabidiol (CBD), um composto natural extraído da cannabis, está ajudando as crianças e suas famílias, principalmente as mães, que sofrem muitas vezes com crises de epilepsia, agitação e agressividade.

Em Fernando de Noronha, o projeto envolve a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a associação de mães atípicas do local, e até mesmo a Administração Distrital da Ilha. Dois mutirões já foram realizados neste ano, com o objetivo de promover opção de tratamento integrativo e gerar conhecimento sobre o tema. Vários casos de sucesso vêm sendo relatados nas redes sociais.

Diagnósticos apontam que o tratamento com canabidiol também atende a pessoas com problemas psicológicos, depressão, ansiedade, insônia e questões neurológicas. Dor crônica e doenças osteomusculares também encontraram melhoras a partir desse tratamento.

Santa Catarina: família de criança com epilepsia é presa

Na contramão dos avanços com o tratamento com canabidiol para esses casos, a Justiça de Santa Catarina prendeu um regime fechado, sob acusação de tráfico de drogas, um casal que desenvolveu o cultivo de cannabis medicinal (sem o teor narcótico da maconha original) para tratar duas crianças da família.

O caso aconteceu em Itapiranga, no interior de SC, e a sentença foi assinada pelo juiz substituto Victor Mattos, num processo que ignorou indicação médica formal para tratar as crianças com CBD. Até a avó das crianças, que é médica veterinária, foi condenada, embora não tenha ido para a prisão.

O uso medicinal da cannabis em Marília

Em Marília, a Câmara Municipal aprovou um projeto de autoria do presidente da Casa, Danilo da Saúde (PSDB), considerado um avanço no tratamento de pessoas utilizando o cavalo, a chamada equoterapia.

A iniciativa foi da Associação Canábica Maria Flor, que acolhe animais abandonados nas ruas e depois de promover cuidados e treinamento, usa os cavalos considerados aptos na equoterapia, que ajuda pessoas com deficiência. Esse método terapêutico pode ser usado na abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação.

A entidade não recebe verbas públicas pelo serviço prestado. A Associação Maria Flor foca na pesquisa e no acesso seguro a tratamento à base de canabinoides. A instituição é uma referência na região, e além do acolhimento de pacientes com doenças crônicas, têm projetos de fomento à agricultura familiar e sustentável.

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