22 anos depois, país caribenho continua em difícil situação humanitária
Imagine um jogo de futebol onde o ingresso de entrada fosse a entrega de uma arma, e não as tradicionais doações de alimentos. Isso aconteceu em 18 de agosto de 2004, no estádio Sylvio Cator, na cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti. A Seleção Brasileira participou do evento ao lado dos donos da casa, numa partida organizada pela FIFA destinada a iniciar uma campanha de desarmamento naquele país. O Brasil venceu por 6 a zero.
Naquele momento, e ainda hoje, o país mais pobre das Américas vivia uma grave crise política, com 80% de seus habitantes vivendo abaixo da linha da pobreza, com 50% de analfabetos. Nesta semana, o próprio secretário-geral da ONU chamou a atenção do mundo para a situação do Haiti, que permanece praticamente a mesma, no momento sob influência direta dos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que aquela era uma boa hora para o país mostrar liderança, e enviou tropas do exército brasileiro para ajudar numa missão da ONU. O primeiro-ministro haitiano, Gerard Latartoue, reclamou que o Brasil deveria enviar a seleção de futebol, e não soldados. Lula convidou a seleção, e a CBF gostou da ideia.
A população haitiana, apaixonada pelo futebol brasileiro, lotou as ruas para acompanhar o time, que desembarcou apenas duas horas antes do jogo, e foi transportada em veículos de guerra blindados. Sem o goleiro Dida e o meia Kaká, que não foram liberados pelo Milan, e o zagueiro Lúcio e o meia Zé Roberto, do time alemão Bayern de Munique, o jogo aconteceu.
Roger fez dois gols, Ronaldinho Gaúcho marcou três, e Nilmar fez outro, nos 6 a zero. Na internet é possível encontrar o documentário “O Dia em que o Brasil Esteve Aqui”, que conta a história da partida, com direção de Caio Ortiz e João Dornelas.



























