Onda de mentiras tenta colocar os professores contra o Governo Federal 

Posts distorcem salário líquido, regras de aposentadoria e incidência do Imposto de Renda para a categoria 

por Oswaldo Machado 

Onda de mentiras que mexem com a categoria dos professores e trabalhadores da Educação tomou conta das redes sociais nas últimas semanas. As mais difundidas dizem respeito à alteração nas regras de aposentadoria, o salário líquido e a incidência do Imposto de Renda. Postagens anônimas e também assumidas por ‘influenciadores’ e políticos que se dizem ‘de direita’ afirmam que, por conta de mudanças na faixa de isenção do Imposto de Renda, professores vão ganhar menos em 2026 do que no ano passado, apesar do reajuste no piso salarial.

Na verdade, o piso foi reajustado em 5,4% e passou a R$ 5.130,63. Os profissionais irão receber a partir de R$ 470,50 a mais neste ano. Alegam que, após o aumento no salário, haverá desconto médio de 10% sobre o piso, o que faria o salário cair para menos do que R$ 4,5 mil. O novo salário bruto passa a ser de R$ 5.130,63, acima da faixa de isenção do IR. Só que o cálculo e a linha de raciocínio estão incorretos. O salário líquido é calculado ao subtrair do salário bruto a contribuição para o INSS e o IR.

Com o novo piso de pouco mais de R$ 5 mil, o professor que não tenha dependentes vai pagar R$ 519,80 de INSS e R$ 46,78 de Imposto de Renda por mês, o que resulta num salário líquido de R$ 4.564,05. Isso dá R$  470,50 a mais. Outro ponto desmentido é que professores que recebiam o piso não pagavam IR (o salário base de 2025 já tinha desconto na folha de pagamento). Antes do aumento, os profissionais da Educação eram descontados em R$ 284,13. Agora, por causa da nova faixa de isenção do IR, eles serão descontados em R$ 46,78.

Não houve alteração nas leis previdenciárias

As regras de aposentadoria são outro ponto de fake news, alegando que os professores teriam que trabalhar mais tempo para obter o benefício. Não houve mudança nas leis de aposentadoria, mas sim o cumprimento do cronograma de transição estabelecido pela reforma da Previdência sancionada em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A mentira em circulação diz que a idade mínima aumentou e a transição gradual será até 2031. A verdade é que o atual governo não alterou as normas, mas sim cumpriu as regras aprovadas por Bolsonaro, que instituiu a regra da idade mínima para professores da educação infantil, ensino fundamental e médio.

Os professores têm normas diferentes da regra geral por causa da natureza da atividade. São cinco anos a menos em relação às demais profissões. A partir de 2026, a categoria entre as mulheres se aposenta a partir de 54 anos e seis meses, e contribuição mínima de 25 anos. Para homens, são 59 anos e seis meses e contribuição mínima de 30 anos.

Os pontos (soma da idade com tempo de contribuição passam a ser de 88 pontos para mulheres e 98 pontos para homens. O pedágio para quem estava perto de completar o tempo de contribuição quando a reforma da Previdência foi aprovada, passa a ser de 100%, com idade fixa de 52 anos para mulheres e 55 para homens.

Compartilhe esse conteúdo

LEIA
mAIS