A ubarana virou iguaria na Cozinha das Caranguejeiras, em Magé
Uma culinária criativa pode movimentar a economia de uma comunidade. É o que reflete a experiência de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, cujas vidas mudaram a partir de saberes tradicionais que transformaram a forma de renda local. No centro dessa história está um peixe que, até então, não era valorizado comercialmente por pescadores e pescadoras: a ubarana.
É da Cozinha das Caranguejeiras, localizada na sede da ACAMM, que saem strogonoff, escondidinho, almôndegas, bolinhos, coxinhas, croquetes, quibes e risoles, entre outras receitas feitas com a ubarana. A técnica utilizada pelas mulheres para processar a carne do peixe, baseada nos saberes transmitidos de geração em geração, agregou valor à ubarana em pratos comercializados durante almoços especiais, organizados com a venda de convites à comunidade, visitantes, grupos de turistas, de pesquisadores e de empresas, e ainda por meio de encomendas.
Com a aprovação em um edital do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cozinha conquistou um endereço físico provisório em 2021, quando o recurso foi usado no aluguel de um espaço. Três anos depois, após a associação ser contemplada em um outro edital, transferiu-se para um lugar maior na ACAMM. Aos 62 anos, atualmente auxiliar geral na Cozinha das Caranguejeiras e secretária da ACAMM, Márcia Regina vê o trabalho das mulheres na associação também como uma ação social.
“São pratos feitos com ubarana e assim temos ajudado 15 famílias. As mulheres, às vezes com depressão, vão para a cozinha e acabam ficando boas. Porque, juntas, a gente começa a conversar, contar casos, histórias e problemas nossos. Uma ajudando a outra. Acaba sendo uma ação social dentro da Cozinha. Tem sido muito bom e ainda gera renda”, contou ela, que foi presidente da associação por 12 anos.
[Conteúdo publicado pela Agência Brasil]


























