28 de abril: saúde mental ganha espaço nas estratégias de segurança no trabalho

Empresas adotam conceito de segurança psicológica para prevenir burnout e fortalecer o bem-estar organizacional

No mês dedicado à conscientização sobre a preservação da vida no ambiente profissional, o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril, reforça a importância de estratégias que vão além dos cuidados físicos. Tradicionalmente focadas em equipamentos de proteção individual (EPIs) e prevenção de acidentes, as campanhas corporativas agora priorizam temas como saúde mental, combate ao assédio e gestão do estresse crônico. A mudança reflete a necessidade de enfrentar doenças ocupacionais modernas e promover hábitos saudáveis que garantam a integridade integral do colaborador.

Mas esse olhar sobre segurança no trabalho tem se ampliado. Nos últimos anos, o conceito deixou de estar restrito à prevenção de acidentes físicos e passou a incorporar também fatores emocionais, organizacionais e relacionais, ampliando o entendimento sobre o que, de fato, caracteriza um ambiente de trabalho seguro.

A mudança acompanha uma tendência global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a reconhecer, desde 2019, o burnout como um fenômeno ocupacional, definido como uma síndrome resultante do estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Entre os principais sintomas estão o esgotamento físico e emocional, o distanciamento mental das atividades e a redução da produtividade.

Dados recentes da própria OMS indicam que cerca de 1 em cada 4 trabalhadores no mundo apresenta algum tipo de sofrimento relacionado à saúde mental, o que reforça a necessidade de ambientes corporativos mais preparados para lidar com esses fatores. Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem reforçado a importância de incluir riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança, destacando que condições inadequadas de trabalho impactam diretamente o bem-estar dos profissionais e os resultados das empresas.

Na prática, especialistas apontam que segurança no trabalho vai além de normas técnicas e equipamentos de proteção, principalmente em ambientes corporativos fora da indústria. Envolve também a qualidade da comunicação, a clareza na definição de metas, o respeito nas relações e a capacidade de lidar com conflitos no dia a dia corporativo. Esse movimento tem levado empresas a adotarem o conceito de segurança psicológica, que se refere à criação de ambientes onde os profissionais se sintam seguros para se expressar, tirar dúvidas e relatar problemas sem receio de julgamentos ou punições.

No Brasil, companhias de diferentes setores já começam a incorporar essa abordagem. Na Paschoalotto Serviços Financeiros S.A., por exemplo, a discussão sobre o tema ganha força especialmente durante o Abril Verde, campanha voltada à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho. Internamente, a empresa trabalha o conceito de que “Cuidar da saúde, é cuidar da vida”, em incentivo à adoção de hábitos saudáveis que fazem diferença na qualidade de vida e bem-estar.

Uma das novas iniciativas internas é o quadro “Pequenas dicas para o dia a dia: O autocuidado não precisa ser complicado”, que compartilha mensalmente recomendações para os colaboradores de cuidado à saúde mental e física. Segundo a empresa, a proposta é ampliar o entendimento de prevenção, incluindo práticas do dia a dia que ajudam a reduzir desgastes e melhorar o ambiente de trabalho.

Já entre as práticas organizacionais, estão a definição clara de prioridades, a comunicação objetiva, o feedback estruturado e o preparo das lideranças para lidar com situações de pressão e conflito. A Paschoalotto também garante a seus colaboradores o acesso a atendimento psicológico mensal e nutricional de maneira gratuita, através de parcerias com plataformas de bem-estar.

“Segurança sempre foi sobre prevenção: identificar riscos, estruturar processos e preparar pessoas. Quando falamos de segurança psicológica, aplicamos esse mesmo princípio às relações de trabalho”, afirma Aline Vieira, coordenadora de saúde e qualidade de vida da Paschoalotto. A adoção desse tipo de abordagem está alinhada a estudos internacionais que indicam que ambientes com maior segurança psicológica tendem a apresentar níveis mais altos de engajamento, colaboração e desempenho, além de redução de falhas operacionais e rotatividade.

Para especialistas, o avanço do tema reflete uma mudança mais ampla na forma como o trabalho é encarado. “Ambientes inseguros não são apenas aqueles com risco físico, mas também aqueles marcados por falta de clareza, excesso de pressão e dificuldade de diálogo. A prevenção passa, cada vez mais, pela qualidade das relações”, finaliza Aline.

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