Ex-coach Pablo Marçal foi ouvido pela PF na Superintendência Regional, em São Paulo, por três horas
A Polícia Federal indiciou ontem, sexta-feira, dia 8 de novembro, o ex-candidato a prefeito de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) pelo crime de uso de documento falso. O ex-coach e influenciador é acusado de compartilhar laudo fraudulento contra o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) nas redes sociais, dois dias antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. Boulos concorreu ao cargo de prefeito pelo Psol e ficou em segundo lugar, após o segundo turno nas eleições municipais paulistanas. O pleito foi conquistado pelo atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB. Marçal ficou em 3º lugar.
Pablo Marçal foi ouvido pela Polícia Federal na Superintendência Regional, localizada na Lapa, em São Paulo, por três horas. Ele negou qualquer envolvimento direto no episódio, atribuindo a responsabilidade à sua equipe de campanha eleitoral. Porém, as investigações avançaram após perícia do Instituto Nacional de Criminalística, que confirmou a falsidade da assinatura presente no laudo.
O documento seria supostamente assinado pelo médico José Roberto de Souza, morto em 2022, e divulgado como uma evidência de um atendimento psiquiátrico de emergência a Boulos por uso de cocaína, o que foi desmentido pela família do médico e pela clínica mencionada.
Segundo a filha de José Roberto, a oftalmologista Aline Garcia Souza, seu pai nunca trabalhou na clínica Mais Consultas, onde o laudo indicava ter ocorrido o atendimento. Além disso, ele atuava como hematologista, sem qualquer envolvimento em serviços psiquiátricos ou tratamentos para dependência química.
“Não entendo como foi cair o nome e CRM do meu pai. Ele nunca esteve envolvido em questões políticas e sempre foi uma pessoa íntegra”, afirmou Aline em entrevista à Globo. Ela também apresentou uma tatuagem com a rubrica do pai, notadamente diferente à assinatura utilizada por Marçal para falsificar o laudo.
A perícia grafotécnica realizada pela PF concluiu que a assinatura no documento questionado não pertence a José Roberto de Souza. Segundo o laudo dos peritos, as discrepâncias nas formas e nos traços confirmam a hipótese de falsificação. Ainda assim, para aprofundar a autenticidade dos elementos presentes no laudo, a PF solicitou novas análises para compará-los com documentos verdadeiros da clínica Mais Consultas.



























