Dante Mantovani, ex-presidente da Funarte, a Fundação Nacional de Artes, regeu a orquestra dentro da igreja matriz de Paraguaçu Paulista em momento especial para celebrar Nhô Pai e as Irmãs Galvão
O 11 de junho de 2017 consistiu numa data muito especial para o maestro Dante Mantovani. Assim como ele, o compositor de ‘Beijinho Doce’, Nhô Pai (João Alves dos Santos 1912-1988), é de Paraguaçu Paulista, estância turística localizada a 80 quilômetros de Marília. Da mesma forma, também concentram raízes nesta cidade as Galvão, dupla nacionalmente conhecida formada pelas irmãs Meire e Marilene (1942-2022). Embora a primeira gravação de ‘Beijinho Doce’ não tenha sido pelas Galvão, a música de Nhô Pai marcou amplamente a carreira artística das cantoras.
Em 11 de junho de 2017, portanto, com arranjo especial de Eddy Ieger, Mantovani – que nos anos do governo de Jair Bolsonaro chegou a presidir por duas oportunidades da Funarte, Fundação Nacional de Artes – regeu no interior da igreja matriz de Paraguaçu Paulista uma homenagem às Galvão e a Nhô Pai. A célebre música emocionou a todos, já que Mantovani esteve à frente da orquestra e coro do Festival de Música de Paraguaçu Paulista.
O momento mágico pode ser acompanhado pelo YouTube, através do link: https://youtu.be/qXEuE61YsH4?si=NxAWusYFHh_3Q4ym. “Era o primeiro festival de música de Paraguaçu Paulista e queríamos homenagear as Irmãs Galvão. Então, encomendei esse arranjo ao Eddy Ieger, que também é daqui de Paraguaçu Paulista”, lembrou o maestro. Mantovani realizou a interpretação com a orquestra, resultando numa parceria que agradou a todos na apresentação e continua agradando o público que tem acesso ao momento pela plataforma do YouTube.
Da região, para o Brasil
Além de ‘Beijinho Doce’, artistas da região de Marília legou para o Brasil outras canções que marcaram épocas e se tornaram sucessos nacionais. A exemplo de ‘Saudades de Matão’, composição do maestro Jorge Galati – que era italiano de nascimento, mas passou boa parte de sua vida em Marília. Outra composição que encantou o Brasil e era de um poeta desta região do Estado é ‘Amargurado’, de Dino Franco, músico que viveu em várias cidades do Oeste do Estado e veio a falecer em Rancharia, a 120 quilômetros de Marília.
“Estas composições populares, de caráter folclórico, ganham o gosto nacional porque elas são músicas feitas com muita sinceridade, elas têm uma verdade. Que é o contato do artista com a sua terra. É isso que diferencia, por exemplo, o sertanejo-raiz do sertanejo universitário”, comentou. Na análise do maestro, o universitário, geralmente é composto de uma forma mais comercial – visando lucro – e, às vezes, ecoam até de forma artificial. “Enquanto que as músicas regionais não, elas visam mesmo a expressão e por isso duram muito mais tempo”, complementou.
‘Beijinho Doce’, por exemplo, completará em junho 80 anos. A música foi gravada pela primeira vez em junho de 1945 pelas Irmãs Castro. “As modas universitárias duram só enquanto estiverem tocando nas rádios, depois, saem de cena. As regionais não, como ‘Saudades de Matão’, ‘Amargurado’ e ‘Beijinho Doce’, nunca saem de moda, permanecem vivas por décadas e vão se tornando clássicos da música popular brasileira”, finalizou.





























