Em movimento estratégico, deputado Ricardo Salles demonstra inteligência e tem reais chances na corrida para o Senado por São Paulo

Em cenário com Tarcísio de Freitas concorrendo à reeleição para o governo paulista, Salles não deverá enfrentar disputas fratricidas no campo conservador

O deputado federal Ricardo Salles, do Partido Novo, confirmou na semana passada o que já havia anunciado em agosto de 2024: realmente será candidato ao Senado pelo Estado de São Paulo. Seu movimento é estratégico e demonstra inteligência emocional nesse jogo político – que é bruto. As chances de Salles virar senador paulista são bem reais.

Como o atual governador Tarcísio de Freitas deverá mesmo concorrer à reeleição, pedra antecipada pelo poderoso Gilberto Kassab, presidente do PSD e principal secretário de Tarcísio, o ex-ministro e ex-secretário de Estado não deverá enfrentar disputas fratricidas no campo conservador, da direita.

Salles, que foi o quarto deputado federal mais votado por São Paulo com mais de 640 mil votos, e ocupou o ministério do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, não vai sofrer disputa interna dentro do partido, e poderá manter bom relacionamento com o Partido Liberal, que pode lançar para o Senado os  nomes do filho do ex-presidente, deputado Eduardo Bolsonaro, e do secretário de Segurança Guilherme Derrite. Até mesmo o nome do deputado federal Capitão Augusto, com base eleitoral e até residencial em Marília, pode surgir como opção ao Senado em 2026 pelo PL – haja vista a quantidade de votos que recebeu em todo o Estado nas eleições de 2022.

Pelo PSD, não se sabe se haverá apoio à reeleição da senadora Mara Gabrilli (ex-PSDB). No ano que vem os eleitores votarão em dois nomes para a Casa Alta, fator que certamente vai atrair o eleitor de direita para a ‘dobradinha’ Eduardo Bolsonaro & Ricardo Salles. Com mandato de oito anos garantido, o astronauta Marcos Pontes – da vizinha Bauru –  eleito pelo PL em 2022, continua no cargo.

O campo progressista, de esquerda, poderá lançar o ministro da Economia, Fernando Haddad, ou o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo pelo PT, e ainda corre por fora o ex-governador Rodrigo Garcia. 

Salles saiu na frente

Neste cenário, para o Senado, Ricardo Salles saiu na frente. Contudo, terá que lidar com provocações naturais da disputa política, e trabalhar para consolidar o partido Novo no Interior paulista. O Novo concorreu em Marília nas eleições municipais, lançando majoritária e chapa de vereadores. Entretanto, não alcançou o coeficiente eleitoral para assegurar uma cadeira na atual Legislatura. 

É essa articulação que poderá levá-lo ao Senado, onde terá como agendas principais o enfrentamento com o STF (Supremo Tribunal Federal) e melhorar a posição de São Paulo na distribuição dos recursos federais aos Estados. São Paulo é o Estado que mais arrecada dinheiro para a União, e o que menos recebe de volta, proporcionalmente.

A tarefa agora é do Novo: Ricardo Salles tem votos espontâneos em todas as faixas de eleitores. Só em Marília, para deputado federal, ele obteve 3.945 votos, numa campanha sem barulho e bandeiras nas ruas. Nas cidades da região foi parecido.

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