Desatenção no Pix e promessa de dinheiro fácil fazem a alegria dos golpistas
A falta de atenção nas redes sociais, ao usar o sistema Pix e a ilusão de ganhar dinheiro fácil são as principais causas do elevado número de golpes digitais que trazem prejuízo todos os dias aos brasileiros.
O relatório Jornada dos Golpes, divulgado esta semana pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da agência do mesmo nome, mostra que promessas de ganhar dinheiro a partir de marcas conhecidas combinadas com pagamento instantâneo via Pix é a combinação mais frequente usada pelos golpistas online.
115 conteúdos fraudulentos virais que circularam pelo Brasil entre maio de 2024 e abril deste ano foram analisados: um terço exigia pagamento exclusivamente via Pix, 71% dos golpes prometiam algum tipo de vantagem financeira, e 74% usaram a credibilidade de personalidades ou empresas conhecidas para atrair as vítimas.
O ‘velho golpe de sempre’ é repetitivo e previsível, mas as pessoas continuam caindo nas fraudes, e o WhatsApp é a rede social mais usada para iniciar os golpes, que depois migram para ambientes mais privados, onde ocorre a coleta de dados pessoais, principalmente através de formulários online.
As pessoas precisam prestar mais atenção quando alguma atividade exige Pix para o pagamento de taxas para liberar benefícios, promoções ou brindes. Facebook, Instagram e TikTok também estão entre os aplicativos preferidos pelos golpistas.
O relatório sugere mais atenção a promoções, indenizações liberadas, benefícios sociais e brindes oferecidos na internet. Datas sazonais como Dia das Mães, dos Pais, das Crianças, Namorados e Natal são propícias para a dissertação das fraudes.
Os golpes são previsíveis, com estruturas que já foram amplamente divulgadas, mas o contexto de vulnerabilidade econômica, perspectiva de ganhar descontos significativos em compras e expectativa de ganhar dinheiro fácil continuam atraindo os incautos.
E vale tudo para atrair as vítimas: manipulação de reportagens jornalísticas, comunicados oficiais, decisões judiciais, páginas institucionais e sites de empresas de renome nacional são os artifícios mais utilizados.
A Agência Lupa chama atenção para a necessidade de responsabilização das plataformas para a prevenção de fraudes, um debate que está acontecendo no Brasil e outros países.
Documentos internos da Meta revelados pela Imprensa mostram que somente em 2024, a empresa arrecadou cerca de US$ 16 bilhões com anúncios relacionados a golpes e produtos proibidos. O valor equivale a cerca de 10% da receita anual da empresa.


























