Jaqueline Alveres trabalha no cemitério há 15 anos; profissão é tradição na família
por Andressa Vitorino
A mariliense Jaqueline Alvares, de 27 anos, coleciona mais de 18 mil seguidores nas redes sociais e é por meio delas, que Jacque conta ao mundo detalhes da sua profissão, que para muitos é inusitada. Jaque ganha a vida como “Faxineira de Túmulos”, profissão é tradição na família.
“Comecei a trabalhar no cemitério com 12 anos, com a minha avó, depois da minha mãe ter ficado muito doente. Trabalhei com ela por dois anos e meio, no cemitério e na reciclagem. A falta de estudos complicou a minha busca por um emprego registrado, então voltei a pelejar no cemitério com a minha mãe, que hoje, em decorrência da doença, está ostomizada. Pelejamos juntas no cemitério há 7 anos.”, contou.

“Tem uns quatro anos que comecei na internet, primeiro comecei postando algumas fotos e boomerang no meu antigo perfil, e isso despertou a curiosidade dos poucos seguidores que tinha.”, relatou.

Hoje, o seu canal no youtube, tem mais de 3 mil seguidores, que ela chama carinhosamente de “estrelinhas”.
“A ideia de se referir aos meus seguidores de estrelinhas foi um processo longo, até ter essa definição. Eu via muitas pessoas chegando que queria dar uma identidade para elas, não queria que fosse igual todos meus amores” ou “seguimores”. No YouTube primeiro foi “hey guris”,”hey pessoas” e “minha turma”. Mas depois pensei: “gosto de estrelas e essas pessoas estão iluminando a minha vida”, então comecei a chamá-los de “minha turma de estrelas”. Depois de um tempo já queria mudar e comentei com minha cunhada sobre e ela me deu a ideia de chamá-los de “estrelinha”, no começo relutei por ser comprido, e eu ter a língua presa, mas acabou sendo “estrelinha” mesmo. Aceitaram muito bem, e sempre que eu os encontro na rua, eles gritam “oi estrelinha”.”

Para Jacque, seu trabalho de faxineira de túmulos, ainda que cansativo fisicamente, é o seu ponto de paz.
“Pelejar no cemitério para mim é o melhor lugar, sinto paz e tranquilidade. Como é o meu negócio, meu jeito diferente de empreendedorismo, consigo fazer meu dia e meu horário. Muitos têm o pensamento que o cemitério é lugar pesado, pensam que saio de lá com energia carregada, mas não tem nada disso. Quem perturba mesmo são os vivos. Fico bem cansada fisicamente, mas minha mente fica em paz e muito mais grata por ter minha simples vida.”, concluiu.

























