Situação, que cresce com muita frequência, amplia o debate que, antes, teve como alvo as profissionais da Enfermagem
por Oswaldo Machado
Uma nova onda de imagens e vídeos gerados através de Inteligência Artificial (IA) agora atinge policiais femininas apresentadas em perfis com sexualização. A recorrência vem gerando debate entre a categoria e, possivelmente, muito em breve, deverá chegar aos tribunais brasileiros. Situações parecidas, só que na vida real, já ocorreram com enfermeiras e causaram protestos de entidades de classe.
O boom de conteúdo mostrando policiais femininas em situações eróticas vem ocorrendo, principalmente, em perfis no Instagram. São posts com falas picantes e, casos extremos, até exposição de sexo explícito. Os perfis mais famosos trazem delegada fazendo sexo em viatura, uma ‘Barbie da PM’ e uma policial falando sobre depilação.
Há o caso de uma loira com uniforme da Polícia Civil fazendo uma selfie sensual ao lado de um colega numa viatura. A coluna Na Mira, do portal Metrópoles, já chamou a atenção ao fato. As postagens estão incomodando órgãos da Segurança Pública, a exemplo da Polícia Civil do Distrito Federal. De acordo com a jornalista Larice de Paula, já existem investigações em andamento, com suspensão de contas com base no Marco Civil da Internet. Não há crime direto, mas muito constrangimento e prejuízo à imagem institucional das polícias.

Cofen agiu anteriormente na defesa das enfermeiras
Em 2006, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) perdeu um processo para a Rede Globo, ao tentar impedir a exibição de cenas do programa ‘A Grande Família’, em que o personagem Seu Floriano, interpretado pelo ator Rogério Cardoso, tinha sonhos eróticos com uma enfermeira. Na época, o Tribunal Federal da 2ª Região deu ganho de causa à emissora, decidindo que fazer humor com ‘um fetiche de grande parte dos homens não configura ofensa’.
O desembargador Reis Friede defendeu a ‘liberdade de expressão’ em seu acórdão. “Muitos fetiches fazem parte da imaginação das pessoas. Apenas aquelas pessoas dotadas de exacerbado puritanismo poderiam detectar, no quadro humorístico apresentado pela Globo, qualquer ato ofensivo e humilhante à categoria”, proferiu.
Em outro episódio, mais recente, no ano de 2021, o Cofen entrou em conflito com a atriz Bruna Marquezine, que se fantasiou de ‘enfermeira sexy’ para participar de uma comemoração de Halloween. O caso não foi parar na Justiça, mas, à época, gerou grande debate no Twitter (hoje X).
Bruna se desculpou pelo figurino, mas reclamou de eventuais ameaças que teria recebido de profissionais que reclamaram de a classe sofrer com um estigma sexualizado. O Cofen, por sua vez, afirma que a erotização da enfermagem é um desserviço às mulheres e estimula violência sexual.

Coren paulista também entrou na briga
Posição semelhante tem o Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (Coren-SP), que também comprou briga nas redes sociais com as atrizes Giovanna Ewbank e Ingrid Guimarães pelo mesmo motivo. As duas, posteriormente, também se retrataram publicamente após repercussão negativa entre a categoria. Em sites adultos, outras profissões exercidas por mulheres alimentam fortes discussões e debates semelhantes, em situações que erotizam professoras, corretoras de imóveis, empresárias e, principalmente, as empregadas domésticas.























