“Se o escritor é o pai do livro, o editor é o avô”, diz editor Eduardo Lacerda, da Patuá, que sábado, 17, estará na Flim, em Marília

Ao lado dos escritores marilienses Ramon Barbosa Franco e Tiago de Moraes das Chagas, Lacerda estará na mesa sobre o mercado editorial durante o 1º Festival Literário de Marília

Em 15 anos de atividade, a editora Patuá, com sede em São Paulo, acumula prêmios. E não são quaisquer: reúne 4 Prêmios São Paulo de Literatura – sendo ‘Desnorteio’, de Paula Fábrio, o 1º deles – 4 Prêmios Jabutis e 4 Prêmios Biblioteca Nacional. Quer mais jóias? Entre seus autores estão o imortal da Academia Brasileira de Letras, poeta e escritor Marcos Lucchesi – atual presidente da Biblioteca Nacional – e o compositor Martinho da Vila, que, obviamente, dispensa apresentações. O fundador desta autêntica casa da Literatura Brasileira, Eduardo Lacerda, estará em Marília no próximo final de semana. Lacerda é um dos convidados para a primeira edição do Festival Literário de Marília, que será realizado de sexta-feira, dia 16, a domingo, dia 18 na cidade. 

“Estou muito feliz por poder estar participando de um evento literário em Marília, que é uma cidade enorme e culturalmente rica. Conheço muitos artistas que são daí, inclusive temos uma escritora que é da região, de Garça, que publicou conosco”, comentou o editor em entrevista exclusiva ao Diário de Notícias Marília, na tarde desta terça-feira, dia 13 de maio. A autora que Lacerda se refere é Kênia Marangão, de ‘O voo das libélulas’ (Editora Patuá) e uma das mais de 30 personalidades literárias confirmadas nesta 1ª edição do Flim. 

O escritor e publicitário Tiago de Moraes das Chagas é um dos convidados da mesa sobre o mercado editorial

O editor informou que estará no Flim acompanhado de sua esposa e sócia na Patuá, Pricila Gunutzmann, e sua participação não ficará restrita apenas à mesa que dividirá na noite de sábado, das 18h às 19h, com os escritores marilienses Ramon Barbosa Franco, de ‘Canavial, os vivos e os mortos’ e ‘A próxima Colombina’ – entre outros – e Tiago de Moraes das Chagas, de ‘Quatro patas, a história de Pituco’ e das HQs ‘Radius’. Lacerda pretende circular na feira, conversar com leitores e escritores que estiveram presentes ao festival que espera reunir mais de 4 mil pessoas. “Espero que a população abrace o festival, esta feira que está criando cultura, porque cultura é isso: é cultivar a leitura, o gosto por eventos assim”, salientou.

O editor Eduardo Lacerda idealizou a Patuá quando cursava Letras

A editora Patuá nasceu quando Lacerda cursava Letras e identificou que muitos amigos e colegas estavam com materiais inéditos pronto para serem levados ao público, mas, como sempre, quase nenhuma editora dava oportunidade para esses originais. Hoje, 15 anos depois, já são mais de 3 mil títulos publicados e com um casting de autores que inclui desde jovens poetas ainda na adolescência, até consagrados das letras brasileiras, como Paula Fábrio, escritora vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, ao imortal da ABL Marcos Lucchesi, e o cantor Martinho da Vila. “A figura do editor é uma referência para o escritor, porque ele orienta o autor. E na etimologia da palavra editor está associado a aquele que dá à luz, torna o livro possível. Então, se o escritor é o pai do livro, o editor é o avô, meio que tá ali ajudando o filho nascer”, complementou.

Nascido em Paraguaçu Paulista, mas radicado em Marília desde 1999, Ramon Barbosa Franco é escritor profissional desde 2004

Em ritmo de produção admirável, a Patuá lança até 500 livros por ano, o que, por semana, corresponde a até 2 lançamentos. Ao lado da sócia e esposa, Pricila, Lacerda emprega diretamente 10 profissionais e gera oportunidades diretas para uma rede de apoio formada por mais 10 trabalhadores. Os desafios são sempre enfrentados com dinamismo e bom humor, algo bem característico de Lacerda, que é um editor que sempre sorri. Sobre o fato do Brasil ainda acumular quase 1 terço da sua população de analfabetos funcionais – pessoas que só leem o próprio nome e se embaralham ao ler um texto com mais de cinco linhas – o editor da Patuá entende que tais desafios, complexos, envolvem mais setores para sua solução, como a Educação e o ensino regular. 

“Mas veja, os clubes de leitura, nos últimos 10 anos, ampliaram a formação de leitores. A literatura vem se democratizando mais, apresentando novos olhares, estamos acompanhando isso, inclusive com mais mulheres escrevendo também”, considerou. Sobre o Flim, Lacerda comentou que se sentiu fortemente atraído a participar porque notou no modo em que a comunicação do evento foi apresentada algo bem democrático, bem aberto e totalmente descentralizado. “Me interessei em participar, me inscrevi e sábado estaremos aí!”, concluiu.

Serviço

Mesa sobre o mercado editorial 

Eduardo Lacerda, Ramon Barbosa Franco e Tiago de Moraes das Chagas

Sábado, dia 17 – das 18h às 19h

Biblioteca Municipal de Marília [esquina da São Luiz com a São Carlos]

Festival Literário de Marília – Flim

Entrada franca [inscrições prévias]

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