Dez anos atrás o empresário chegou a ser convidado a exercer a política e liderança empresarial na Cidade Sem Limites
O empresário e prefeito de Marília, Daniel Alonso, voltou a ser assediado pelas lideranças políticas e empresariais de Bauru com vistas às eleições municipais daquela cidade. Essa não é a primeira vez que o fundador da Casa Sol e chefe do Poder Executivo mariliense em segundo mandato é sondado por grupos políticos da cidade vizinha. Entre 2012 e 2013, Daniel – que havia ficado em terceiro lugar nas eleições municipais de Marília – recebeu convite para exercer na Cidade Sem Limites a liderança empresarial. Na ocasião, Daniel Alonso teria sido sondado para ingressar como diretor da associação comercial da cidade, pois há anos possui em Bauru uma das filiais de sua loja de materiais para construção civil.
A partir da liderança empresarial – um núcleo de comerciantes bauruenses, inclusive, queria que ele disputasse a presidência da Acib, a Associação Comercial e Industrial de Bauru – Daniel seria estimulado a exercer a vida pública em Bauru, num projeto político visando a Prefeitura daquela cidade. Naquela ocasião, o empresário acabou declinando do convite e agradecendo a confiança nele depositada. Recentemente, conforme o prefeito informou, nova sondagem lhe foi feita.
Em declarações ao portal Marília Notícia nesta sexta-feira, o prefeito de Marília sintetizou sua relação histórica com Bauru, lembrando inclusive que iniciou sua carreira profissional no ramo da construção civil lá e que um de seus filhos, o empresário Diego, é nascido em Bauru. Ao Marília Notícia, o chefe do Executivo declarou o seguinte: “Quero terminar bem o mandato, para que Marília tenha prosperidade, para que seja a cidade do futuro, com qualidade de vida, geração de empregos e renda, além de oportunidades, conseguindo diminuir a desigualdade social. Queremos entregar uma cidade próspera e feliz, melhor para se viver, morar e trabalhar. Esse é o nosso objetivo. Não tenho nenhum outro projeto político no momento”, afirmou.
Trajetórias semelhantes
Na história política brasileira é comum líderes originários de uma cidade, Estado ou região, conquistarem o voto e a representação de eleitores de outras cidades, Estados e regiões. O ex-presidente José Sarney, por exemplo, tinha base eleitoral e política no Maranhão – onde fora governador, por sinal – mas exerceu três mandatos de senador pelo Amapá. O deputado federal reeleito recentemente, Vinícius Rapozo Carvalho, do Republicanos, iniciou sua vida pública pelo Rio de Janeiro, onde foi eleito deputado federal. Depois, mudou-se para São Paulo e, desde então, vem representando o Estado paulista. Aliás, o parlamentar se dedica às causas de Marília, conquistando, por exemplo, o terreno para a construção do campus da Famema, ao lado do Tauste Sul.
No passado, o ex-deputado estadual e ex-prefeito Julinho Marcondes de Moura (1934-2011) alcançou êxito em várias eleições em cidades diferentes. Aos 21 anos, em 1956, se elegeu prefeito de Álvaro de Carvalho. Em 1961, se candidatou e se elegeu prefeito de Júlio Mesquita, e sete anos mais tarde, em 1968, acabou eleito prefeito de Garça. Voltaria a ser prefeito de Garça outras vezes e também exerceria um mandato de deputado estadual, de 1991 a 1995.
Nas eleições de 2022 a ex-senadora do Acre, Marina Silva, conquistou uma das 70 vagas do Estado de São Paulo da Câmara dos Deputados, em Brasília. Elevada à ministra do Meio Ambiente do governo Lula da Silva, Marina deverá se licenciar do mandato. Em outro período, o líder Leonel Brizola (1922-2004), que concorreu ao cargo de presidente da República algumas vezes, se elegeu governador do Rio Grande do Sul e, décadas depois, se elegeu governador do Rio de Janeiro. Brizola, aliás, foi o único brasileiro a conseguir tal feito.
Questões jurídicas
A legislação traz algumas limitações no caso de alteração no domicílio eleitoral com foco, exclusivo, às eleições. Mas, no caso específico de Daniel Alonso, como o empresário exerce seu segundo mandato de prefeito em Marília, e caso queira se candidatar ao cargo de prefeito de Bauru, o mesmo teria que renunciar ao mandato, no mínimo, seis meses antes do término da sua atual gestão. Ainda assim, haveria a necessidade a comprovação de vínculos com a comunidade bauruense e ampla convivência com a cidade. Tudo para que a Justiça Eleitoral de Bauru não venha interpretar sua candidatura como ‘aventureira’ e ‘oportunista’.
























