Escritor Paulo Coelho chega aos 75 anos. Autor de Marília foi o primeiro editor de ‘O Alquimista’

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Nelson Liano Júnior, jornalista e escritor mariliense, conheceu o autor de ‘O Diário de um Mago’ na década de 1980, no Rio de Janeiro

Um dos principais escritores de todos os tempos e o brasileiro mais lido no mundo, Paulo Coelho, chega nesta quarta-feira, dia 24 de agosto, aos 75 anos de idade. Autor de vários best-sellers, como ‘O Alquimista’ e ‘O Diário de Um Mago’, o ex-roqueiro letrista das músicas do cantor Raul Seixas, é grande amigo de um mariliense. Nelson Liano Júnior, jornalista e escritor de Marília que atualmente trabalha na Imprensa do Acre, conheceu Paulo no Rio de Janeiro. A amizade frutificou desde então e, anualmente, Liano Júnior se encontra com Paulo Coelho na celebração que o escritor e sua esposa, a artista plástica Christina Oiticica, promovem em homenagem ao santo padroeiro do autor, São José.

Paulo Coelho e Nelson Liano Júnior durante celebração a São José realizada anos atrás na Europa
O jornalista de Marília, Nelson Liano Júnior, ao lado da esposa de Paulo Coelho, Christina Oiticica

Nelson Liano, um dos principais jornalistas e assessores de imprensa do Estado do Acre, foi o primeiro editor dos dois grandes livros escritos por Paulo Coelho e que marcariam para sempre sua trajetória literária: ‘O Alquimista’ e ‘O Diário de Um Mago’.

Em 2022, celebram-se também os 35 anos da publicação de O diário de um mago, seu primeiro best-seller. O livro foi escrito após a peregrinação do autor, em 1986, pelo caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e lançando pela editora Eco, do Rio de Janeiro, no ano seguinte. A experiência pelo caminho de Santiago de Compostela foi transcendental na vida do autor, e o grande sucesso internacional de O diário de um mago após sua publicação contribuiu para aumentar substancialmente o número de peregrinos à cidade da Galícia, na Espanha — tanto que, em 1999, Paulo Coelho foi condecorado com a medalha de Oro de Galicia por parte do Conselho de Estado da Espanha e, em 2008, a prefeitura local prestou homenagem ao escritor brasileiro dando seu nome a uma das ruas da cidade.

Os livros de Paulo Coelho publicados mundialmente atingiram a assombrosa marca de cerca de 320 milhões de exemplares vendidos em mais de 170 países — o autor mais traduzido da língua portuguesa é publicado em 88 línguas diferentes, entre elas o albanês, o estoniano, o persa (a jornalista Patrícia Campos Mello descobriu versões de O diário de um mago nessa língua entre prisioneiros na fortaleza norte-americana de Guantánamo, em Cuba), o hindi, o malaiala (falado no sul da Índia), o marati (falado na costa central ocidental da Índia), o vietnamita e o suaíli (uma das línguas oficiais do Quênia). No Brasil, Paulo Coelho chegou a ter cinco títulos na mesma lista de livros mais vendidos, uma façanha que nenhum outro autor conseguiu realizar.

O Alquimista, seu livro de maior sucesso, foi lançado em junho de 1988, inicialmente pela mesma editora Eco. Como o publisher da editora não acreditava muito no sucesso do título, a reedição de O Alquimista saiu pela editora Rocco — e se transformou rapidamente em um dos maiores fenômenos de venda do Brasil. A saída da Eco também marca o momento em que Paulo Coelho começou a trabalhar com Mônica Antunes, sua agente exclusiva até hoje, proprietária da Sant Jordi, com sede em Barcelona.

O livro vende cerca de 1 milhão de exemplares todos os anos somente nos Estados Unidos, sendo o mais presenteado a estudantes que terminam o ensino médio no país. Ainda nos Estados Unidos, o maior mercado de livros do mundo, O Alquimista tem o recorde de ter permanecido por 427 semanas consecutivas na lista de mais vendidos do jornal The New York Times — a relação de best-sellers mais prestigiada da indústria internacional do livro. Em agosto de 2022, o livro alcançou a extraordinária marca de 650 semanas consecutivas na lista de mais vendidos do jornal USA Today. A inspiração para o bestseller  foi uma história persa aproveitada pelo escritor argentino Jorge Luis Borges em seu livro de contos História universal da infâmia.

O Alquimista é elogiado e recomendado por líderes mundiais como o ex-presidente americano Barack Obama, a ativista paquistanesa e prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai e o ex-secretário geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-moon, além de muitos outros; por escritores de renome internacional, como o italiano Umberto Eco e o japonês Kenzaburo Oe, ganhador do prêmio Nobel de Literatura; por personalidades como Gisele Bündchen e Oprah Winfrey, apresentadora e líder de um dos maiores clubes de leitura do mundo; e até por esportistas como o heptacampeão mundial de Fórmula 1 Lewis Hamilton e os superastros da NBA LeBron James e Kobe Bryant — com quem Paulo Coelho planejava escrever um livro para crianças, plano infelizmente impedido pela morte trágica do jogador de basquete. No mercado norte-americano, há um audiobook de O Alquimista narrado pelo grande ator inglês Jeremy Irons, vencedor do Oscar de Melhor Ator em 1991.

Com 21 obras e algumas centenas de milhões de exemplares vendidos, Paulo Coelho é publicado pelas mais importantes editoras do mundo, como a Knopf e a Harper Collins, nos Estados Unidos, a Flammarion, na França, a Planeta, na Espanha, a Penguin Random House, no México, e a Kadokawa, no Japão. No Brasil, é publicado pelo selo Paralela, da Companhia das Letras, desde 2016, quando lançou A espiã, inspirado na vida misteriosa de Mata Hari, mulher nascida nos Países Baixos e fuzilada durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 2010, Paulo Coelho organizou para editora inglesa Penguin uma antologia de textos que foram fonte de inspiração para ele; entre os trechos selecionados, estão passagens De Profundis, de Oscar Wilde, Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt (em 1982, uma visita aos escombros do campo de concentração nazista de Dachau, na Alemanha, se transforma em uma das experiências mais marcantes da vida do autor e reforça suas convicções de sempre lutar contra os autoritarismos de qualquer matiz ideológico), O príncipe, de Maquiavel, Ficções, de Jorge Luis Borges, e Os manuscritos do mar Morto.. Desde o lançamento de seus primeiros best-sellers, O diário de um mago e O Alquimista, Paulo Coelho cuida zelosamente de detalhes da divulgação e da distribuição de seus livros em todo o mundo, assim como da relação com seus leitores.

Em 1996, Paulo Coelho recebeu a comenda Chevalier da Ordem Nacional da Legião de Honra, concedida pelo presidente da França Jacques Chirac, e, no mesmo país, recebeu o título de Officier dans l’Ordre des Arts e des Lettres em 2003. Ele ocupa a cadeira de número 21 da Academia Brasileira de Letras desde 2002 e, em 2007, tornou-se Mensageiro da Paz das Nações Unidas. Paulo Coelho ganhou cerca de 115 premiações e homenagens de dimensões internacionais, entre as quais o prêmio Grinzane Cavour (Itália, 1996; também concedido a escritores como José Saramago, Doris Lessing e Ian McEwan), o prêmio Goldene Feder (Hamburgo, 2005) e o Hans Christian Andersen Award, concedido pelo International Board on Books for Young People (2010).

Paulo Coelho é conselheiro da Unesco para o Programme on Spiritual Convergences and Intercultural Dialogues e foi membro do board da Fundação Schwab, que promove o Fórum de Davos (“na verdade, o brasileiro que mais conta em Davos chama-se Paulo Coelho, escritor que é também membro da diretoria da Fundação Schwab”, escreveu o jornalista Clóvis Rossi, o repórter brasileiro que mais cobriu o Fórum de Davos, na Folha de S.Paulo), e do International Advisory Council do Harvard International Negotiation Program.

Em 2003, O Alquimista conquistou o Guinness World Record como o livro que teve mais traduções para outros idiomas; em 2009, Paulo Coelho obteve um novo Guinness World Record como o autor mais traduzido pelo mesmo livro. Ele foi um dos primeiros escritores a usar as redes sociais e, em pesquisa realizada pela agência de relações públicas americana JCPR em 2009, estava entre as cem personalidades mundiais mais seguidas no Twitter (apenas cinco das cem pessoas mencionadas não eram norte-americanas). Em 2017, o escritor foi escolhido como um dos cem pensadores de influência mundial pela Fundação Albert Einstein, do Canadá, que preserva o acervo do gênio da física alemão.

Paulo Coelho sonhava ser escritor desde a adolescência no Rio de Janeiro. Na juventude, já fazia comentários por escrito sobre os livros que lia (aos 25 anos, tinha feito anotações sobre mais de quinhentos livros) e enviava poemas para os críticos literários que tinham colunas de literatura em jornais. Trabalhou em teatro (chegando a dar aulas de direção e interpretação) e em jornais de grande circulação — como O Globo, do Rio de Janeiro —, foi editor de periódicos da contracultura (também chamada de “udigrudi” no Brasil) e trabalhou nas gravadoras Polygram e CBS. Em 1970, influenciado pelos movimentos místicos e alternativos, pegou o Trem da Morte para ir até a Bolívia e a Machu Picchu, no Peru. Depois foi para Amsterdã, na Holanda, a capital mundial do movimento hippie. De lá, de ônibus, fez sua primeira excursão ao Oriente, experiência que relata no livro autobiográfico Hippie, lançado em 2018.

No início da década de 1970, cruzou com o roqueiro baiano Raul Seixas, e o encontro mudou sua vida. Juntos, os dois compuseram mais de quarenta canções, algumas de imenso sucesso e que se tornaram para sempre clássicos do rock brasileiro, como “Gita” (grande hit também na voz de Maria Bethânia), “Eu nasci há dez mil anos atrás” e “Sociedade Alternativa”. Faria ainda letras para outros importantes compositores brasileiros, como Rita Lee e Zé Rodrix, e até para um dos fundadores da bossa nova, Roberto Menescal, um de seus grandes amigos; ao todo seriam cerca de 120 letras para canções. Sua última participação no universo da canção foi a versão do bolero mexicano “Me vuelves loco”, de Armando Manzanero, grande sucesso no Brasil na voz de Elis Regina como “Me deixas louca”. A versão voltaria a ser gravada pela filha de Elis, a cantora Maria Rita, em 2012.

O espírito livre e ousado de Paulo Coelho custou a ele vários momentos de restrição violenta de sua liberdade: seus pais o internaram em clínicas de tratamento psiquiátrico, onde recebeu inclusive choques elétricos (experiência que narra no livro Veronika decide morrer, que motivou um projeto de lei do então senador Eduardo Suplicy proibindo as internações psiquiátricas arbitrárias no Brasil; veja no anexo o texto do autor “Escrevi um livro sobre o asilo mental, papai”), e ele foi detido duas vezes pela repressão da ditadura civil-militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. A primeira vez foi em 1969, quando voltava da uma viagem do Paraguai com a namorada e dois amigos para ver um jogo da seleção brasileira de futebol. A segunda foi em 28 de maio de 1974, no período mais terrível da ditadura: Paulo Coelho foi primeiro detido pelo Dops, o órgão responsável pela repressão, e, depois de liberado, sequestrado do táxi que o levava para casa, detido e torturado.

Em 1980, Paulo Coelho se casou com a artista plástica Christina Oiticica, que fez as capas de seus primeiros livros e com quem ele vive até hoje em Genebra, na Suíça. Naquela década, o casal fundou e dirigiu a editora Shogun, no Rio de Janeiro. Em 2014, criaram a fundação, com sede naquela cidade, que leva o nome dos dois e que, entre outras atividades, apoia o Solar Menino de Luz, uma obra social no complexo de favelas Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. Em 2021, diante da negativa, sob argumentos políticos, ao pedido de que o Festival de Jazz de Capão pudesse ter acesso aos incentivos da Lei Rouanet, a Fundação Paulo Coelho e Christina Oiticica financiou o festival de música da cidade, localizada na Chapada Diamantina. Em julho do mesmo ano, anunciou-se a adaptação para o cinema do livro O Alquimista, em que o ator inglês Sebastian de Souza fará o papel de Santiago.

[Fonte: Blog da Companhia das Letras]

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