Quase um século após o único precedente em 1930, mundial volta a ter uma decisão disputada por duas nações de idioma espanhol neste domingo, 19 de julho
A final da Copa do Mundo deste domingo colocará frente a frente Espanha e Argentina em um confronto que carrega séculos de história além das quatro linhas. O duelo marca apenas a 2ª vez na história dos mundiais em que duas nações de idioma espanhol disputam a decisão do título — feito que não ocorria desde o embate pioneiro entre Uruguai e Argentina, na edição inaugural de 1930. Desta vez, o confronto ganha contornos de reencontro esportivo direto entre a antiga metrópole colonizadora e sua ex-colônia sul-americana.
O domínio espanhol na região do Rio da Prata teve início em 1516, com a chegada do navegador Juan Díaz de Solis. A coroa espanhola manteve o controle político e econômico sobre o território ao longo dos Séculos XVI e XVII, soberania que só se encerrou formalmente com a declaração de independência da Argentina, em 9 de julho de 1816.
Para alcançar a histórica decisão contra seus colonizadores, a seleção argentina precisou superar outro rival de forte carga geopolítica. Na semifinal, os argentinos venceram a Inglaterra de virada por 2 a 1. Os ingleses abriram o placar aos 10 minutos do segundo tempo com Anthony Gordon, mas a pressão argentina na reta final garantiu a vitória com gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez.
A partida semifinal foi cercada de tensão desde a execução dos hinos nacionais. Após o apito final, o clima de rivalidade histórica se estendeu para as comemorações, quando os jogadores argentinos exibiram no gramado uma faixa com os dizeres ‘Las Malvinas son argentinas’, em alusão à disputa territorial que envolve os dois países.

























