“O sistema é uma máquina de moer mães atípicas”, afirma advogada e ativista das mães atípicas, Angélica Masson

Atividade na avenida das Esmeraldas e audiência pública na Câmara Municipal debatem a urgência de políticas públicas e diagnóstico para o autismo em Marília

A advogada e ativista Angélica Masson utilizou o espaço público na manhã do domingo, dia 12 de abril, para pautar a necessidade de inclusão real. Durante atividade organizada pela Prefeitura de Marília na praça da Emdurb, na Avenida das Esmeraldas, ela destacou que o aumento de diagnósticos não é uma moda, mas reflexo do acesso à informação. “Não conheço nenhuma mãe que dependa do SUS e que, desde a suspeita inicial até o diagnóstico, tenha levado menos de um ano”, afirmou.

Mãe de Joaquim, com quem lançou o livro “Come-recreio” no primeiro trimestre deste ano na Biblioteca Municipal de Marília, a advogada contextualizou o peso do cuidado sobre as figuras maternas. Para ela, a ausência de suporte estrutural obriga as mulheres a abandonarem carreiras para garantir o mínimo de dignidade aos filhos. “Hoje, quem paga a conta dessa correria é a mãe; é ela que deixa de trabalhar para cuidar da criança ou trabalha dobrado para pagar o que ela precisa”, relatou.

A palestrante rebateu as críticas sobre supostos privilégios buscados pelas famílias, reforçando que a luta é por direitos constitucionais básicos. Em sua fala, Angélica ressaltou que adaptações simples, como controle de ruídos e cumprimento de horários, ainda são ignoradas pela sociedade e pelo poder público. “Ainda estamos brigando pelo básico: acesso à saúde e à educação; isso não é privilégio, é dignidade, é o mínimo, e brigar pelo mínimo cansa”, desabafou.

Masson defendeu a ciência como norteadora das políticas municipais, citando a terapia ABA como padrão ouro para o desenvolvimento da autonomia de crianças com TEA. A ativista reforçou que a inclusão exige o fim da inércia governamental e o cumprimento do compromisso público durante todo o ano, não apenas em abril. “Alegar que é novo não pode ser desculpa para a inércia; a ciência já traz resposta e a inclusão não pode ser só discurso”, pontuou.

O debate foi estendido ao plenário da Câmara Municipal na última quinta-feira, dia 16 de abril, onde Angélica Masson ocupou a tribuna com maestria durante audiência pública. Na oportunidade, a realidade das famílias foi exposta por meio de vídeos e relatos que evidenciaram os obstáculos cotidianos enfrentados no município. A conferencista reiterou que a coletividade precisa acolher as demandas das mães que, muitas vezes, esgotam seus recursos físicos, emocionais e financeiros pela sobrevivência dos filhos.

A mãe atípica Dayane Wendy também apresentou depoimento contundente sobre a urgência de humanizar o atendimento público em Marília. Ela enfatizou que cada criança possui singularidades que não podem ser ignoradas pelos protocolos genéricos de assistência. “Vocês não estão vendo as nossas marcas, mas elas estão aqui, conosco”, salientou. A audiência reuniu autoridades municipais, como o presidente da Câmara Municipal de Marília, vereador Danilo da Saúde, vereadores e vereadoras, além de médicos, secretária municipal da Saúde, médica Paloma Libânio, Cristina Kuabara, coordenadora do Núcleo da Pessoa com Deficiência e Neurodivergente, e o jornalista Ramon Barbosa Franco, secretário parlamentar do deputado federal Vinícius Carvalho (PL), que o representou na plenária. O debate foi uma solicitação da vereadora Vânia Ramos.

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