Kobra sobre mural na ONU: “Sonhei com isso”

Mural de 336 metros quadrados assinado pelo paulistano Eduardo Kobra colore a fachada da sede da ONU em Nova Iorque

Quando os líderes mundiais desembarcarem na sede da ONU em Nova Iorque na próxima semana, para a 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas, verão um novo e colorido mural de 336 metros quadrados na fachada da organização, assinado pelo paulistano Eduardo Kobra. A obra, uma exaltação à sustentabilidade e um pedido de ação climática para o futuro das novas gerações, será finalizada nesta sexta-feira (16).

“Eu sonhei com isso, mas não imaginei que pudesse, um dia, realmente acontecer”, revelou o artista, de 47 anos, em entrevista à ONU News.

Depois de acreditar que nunca teria acesso ao mundo “oficial das artes” por suas origens como artista de rua, Kobra agora coloca seu nome ao lado de outros dois brasileiros que marcaram a história artística do prédio: o arquiteto Oscar Niemeyer, que contribuiu com o projeto do edifício; e o pintor Cândido Portinari, cujos painéis “Guerra e Paz” foram o presente do governo brasileiro para a inauguração da sede das Nações Unidas.

Autodidata, criado em Campo Limpo, na periferia de São Paulo, Kobra cresceu sem acesso ao universo oficial das artes. Foram imagens das ruas desta mesma Nova Iorque que levaram o brasileiro a pensar em uma carreira artística.

“Eu comecei a pintar por influência de artistas daqui, da década de 70, 80, do Brooklyn, do Bronks”, relata ao lembrar como os livros da fotógrafa Martha Cooper tornaram-se uma bíblia para ele ainda na juventude. “Tudo o que eu realizo aqui tem um valor emocional e sentimental muito relevante.”

O caminho de Campo Limpo ao reconhecimento internacional não foi fácil. Vítima de preconceito e discriminação por suas origens como artista de rua, Kobra começou sua jornada colorindo os muros da própria comunidade. Aos poucos seu talento foi sendo reconhecido e começaram a aparecer convites para que ele criasse murais em outros bairros, cidades, países e continentes.

“Eu queria pintar e as pessoas achavam que isso era algo relacionado a ser vagabundo, a não querer trabalhar, não querer compromisso ou algo do tipo”, recorda. “Mas sou muito insistente em meus objetivos. O que eu queria era pintar”.

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