Morre o escritor português António Lobo Antunes, autor de ‘Fado Alexandrino’, aos 83 anos

Psiquiatra de formação, o autor dedicava-se integralmente à literatura desde a década de 1980. Sua obra é um dos pilares do Século XX

por Ramon Barbosa Franco

A literatura em Língua Portuguesa perdeu nesta quinta-feira, dia 5 de março de 2026, um dos seus maiores expoentes: o português António Lobo Antunes. Nascido em Lisboa em 1º de setembro de 1942, Antunes formou-se em medicina psiquiátrica antes de mergulhar definitivamente no universo das letras. Seus primeiros livros foram publicados em 1979 e, desde então, estabeleceu uma produção incansável e rigorosa.

Reconhecido por dominar a técnica do fluxo de consciência, Lobo Antunes estreou com ‘Memória de Elefante’ (1979), seguido pelo impactante ‘Os Cus de Judas’. Como um cronista denso da sociedade portuguesa, caracterizou-se por uma escrita exigente, que funde romance, poesia e traços autobiográficos sob um estilo barroco e metafórico singular.

Ao lado de José Saramago, figurou como um dos principais romancistas lusitanos do Século XX. Sua literatura foi profundamente marcada pela vivência no front durante a guerra de independência de Angola. Enquanto o moçambicano Mia Couto serviu à libertação de seu país, Moçambique, outra antiga colônia portuguesa na África, Lobo Antunes testemunhou o conflito como médico de campanha das forças portuguesas, transformando o trauma em matéria-prima literária.

Assim como Mia Couto (2013) e José Saramago (1995), Lobo Antunes foi laureado com o Prêmio Camões, em 2007 — a maior distinção da nossa língua. A exemplo dos brasileiros Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Ferreira Gullar, o nome de Antunes foi presença constante nas apostas para o Prêmio Nobel de Literatura, honraria que sua obra, complexa e monumental, certamente merecia.

Ramon Barbosa Franco é escritor e jornalista, formado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade de Marília, a Unimar, e autor dos livros ‘A próxima Colombina’, ‘Contos do Japim’, ‘Getúlio Vargas, um legado político’, ‘Quatro patas , história de Pituco’, ‘Nhô Pai, poeta de Beijinho Doce’, ‘Canavial, os vivos e os mortos’ e de roteiros de HQs, e-mail ramonimprensa@gmail.com

Compartilhe esse conteúdo

LEIA
mAIS