Receita nasceu em São Paulo, no fomoso bar Ponto Chic. Estudante de Direito que era de Bauru pediu para o chapeiro preparar um lanche que ia rosbife, queijo derretido e tomate
O então estudante de Direito, Casemiro Pinto Neto, estava com pressa para entrar numa partida de sinuca. Ele era nascido em Bauru e naquele ano de 1936 cursava a prestigiada e afamada Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, reduto da intelectualidade brasileira e berço de grandes expoentes da política, da justiça, do jornalismo e das artes. Solicitou ao chapeiro que preparasse algo que lhe desse energia em poucas mordidas. “Pegue um pão francês e retire o miolo… Coloque aí queijo derretido”, pediu Casemiro, que era conhecido pelo nome de sua cidade natal, Bauru – a 100 quilômetros de Marília.
O chapeiro ia concluindo o lanche, quando o universitário exclamou: “Peraí, vamos incrementar: coloque proteína”. Entrou em cena o rosbife – que mais tarde foi substituído pelo presunto ou pelo apresuntado. Parecia que estava pronto, mas aí Bauru lembrou que precisava de vitamina: solicitou que inserisse o tomate. Pronto, estava feita a receita do sanduíche que desde o final de outubro de 2024 passou a ser considerado patrimônio imaterial da Cidade Sem Limites. A cena real ocorreu no bar Ponto Chic, em São Paulo, e um amigo de Casemiro ao vê-lo saboreando o sanduíche, pediu uma mordida. Não resistiu e foi logo gritando para o chapeiro: “Prepara um desse do Bauru para mim!”. Assim, o sanduíche recebeu seu nome.
O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) declarou o sanduíche de mesmo nome como patrimônio cultural imaterial da cidade. Embora o lanche tenha o nome da maior cidade do centro-oeste paulista, sua história não começou em Bauru, como já foi mencionado nesta reportagem, mas sim em São Paulo, no ponto Chic. Antes de ser considerado patrimônio imaterial de Bauru, o lanche foi tido como patrimônio imaterial do Estado de São Paulo. Originalmente, a receita de 1936 montada por Casemiro – que ao se formar em Direito exerceu a advocacia, mas também jornalismo, radialismo e até cargos públicos, vindo a falecer aos 69 anos em 1983 – não continha picles, que foi adicionado décadas depois. Bauru, o criador do lanche, foi um dos combatentes da Revolução de 1932 e tinha como hábito jogar sinuca. Também foi o primeiro Repórter Esso do Brasil.
Confira a receita do verdadeiro lanche bauru
- Pão francês, sem o miolo na metade superior
- Fatias de rosbife com sal
- Tomate em rodelas, com orégano
- Queijo amarelo derretido na água
- Picles




























