Polícia Civil investiga a hipótese de intoxicação medicamentosa
Heloísa de Carvalho, de 54 anos, foi encontrada morta em sua residência em Atibaia, interior de São Paulo, na noite de quarta-feira, dia 7 de janeiro de 2026. Filha de Olavo de Carvalho — intelectual radicado nos Estados Unidos e mentor ideológico do bolsonarismo —, Heloísa mantinha uma relação pública de rompimento com o pai. Segundo o Boletim de Ocorrência, seu corpo foi localizado em decúbito dorsal sobre a cama, cercado por frascos vazios de medicamentos e recipientes com bebidas.
A Polícia Civil investiga a hipótese de intoxicação medicamentosa, ressaltando que ela já havia buscado atendimento médico pelo mesmo motivo no dia anterior. Olavo havia falecido em janeiro de 2022, aos 74 anos, em Richmond, nos Estados Unidos.
A trajetória de Heloísa foi marcada pelo antagonismo político e jurídico com o pai, que resultou em sua exclusão do testamento deixado pelo escritor. Filiada a partidos de esquerda, como PT e PSOL, ela contestava judicialmente a partilha de bens, alegando direitos sobre direitos autorais e seguros de vida mantidos por Olavo no Brasil. Em vida, declarou que seu interesse no inventário era garantir que dívidas judiciais do pai fossem quitadas, citando especificamente o processo movido pelo cantor Caetano Veloso contra o escritor.
No cenário político nacional, Heloísa ganhou destaque ao denunciar o paradeiro de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que foi preso em 2020 em um imóvel em Atibaia pertencente ao advogado Frederick Wassef. Ao lado de aliados, ela utilizou redes sociais e canais oficiais do Ministério Público para apontar o esconderijo de Queiroz, peça central nas investigações do esquema de “rachadinhas”. A polícia deve conduzir uma investigação detalhada sobre o óbito, considerando o histórico de desavenças e a rede de adversários políticos da falecida.

























