Supremo condenou 1.399 pessoas por atos golpistas e 179 continuam presos

Quase 70% foram acusados de delitos de menor gravidade

Três anos após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou 1.399 acusados de participação nos atos que tentaram abalar a democracia brasileira e o funcionamento das instituições. Os dados foram atualizados nesta semana pelo gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Segundo o balanço, 179 pessoas estão presas, das quais 114 em regime fechado, após trânsito em julgado das condenações. Outros 50 presos cumprem prisão domiciliar. Há ainda 15 prisões preventivas, como a de Felipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os números incluem o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e 28 ex-integrantes do governo dele, condenados por planejar uma tentativa de golpe para evitar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.

Entre os presos também estão cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal, responsabilizados pelo STF por omissão no exercício de suas funções, por permitirem o acesso dos manifestantes à praça dos Três Poderes e o vandalismo nos prédios.

Acusações

Após os atos golpistas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou 1.734 ações penais no STF. As acusações foram divididas entre incitadores, executores e quatro núcleos principais, que deram sustentação à tentativa de Bolsonaro de se manter no poder após perder as eleições, subvertendo assim, de acordo com o STF, a ordem democrática.

O balanço mostra que a maioria, 979 pessoas (68,9%), foi responsabilizada por delitos de menor gravidade e tiveram penas de até um ano de detenção (415) ou foram beneficiadas por Acordos de Não Persecução Penal (ANPPs). O STF informou que os ANPPs foram oferecidos aos réus que respondiam unicamente pelos delitos de incitação ao crime e associação criminosa, considerados de menor gravidade, a exemplo dos que estavam acampados em frente aos quartéis, mas que não houve provas de que tenham participado da tentativa de golpe de Estado, de obstrução dos Poderes da República e nem de dano ao patrimônio público.

Quem são os condenados dos quatro grupos principais

Núcleo 1 – data da condenação: 11 de setembro de 2025

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República: 27 anos e três meses 
  • Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato à vice na chapa de 2022: 26 anos; 
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: 24 anos; 
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal: 24 anos; 
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): 21 anos; 
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: 19 anos;  
  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): 16 anos, um mês e 15 dias; 
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro: 2 anos em regime aberto e garantia de liberdade pela delação premiada.  

Núcleo 2 – data da condenação: 16 de dezembro de 2025

  • Mário Fernandes, general da reserva do Exército: 26 anos e seis meses de prisão; 
  • Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF): 24 anos e seis meses de prisão; 
  • Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro: 21 anos de prisão;  
  • Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex- presidente Jair Bolsonaro: 21 anos de prisão; 
  • Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça: 8 anos e seis meses de prisão.   

Núcleo 3 – data da condenação: 18 de dezembro de 2025

  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel: 24 anos de prisão;  
  • Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel: 21 anos de prisão;  
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel: 21 anos de prisão;  
  • Wladimir Matos Soares, policial federal: 21 anos de prisão;  
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros , tenente-coronel: 17 anos de prisão;  
  • Bernardo Romão Correa Netto, coronel: 17 anos de prisão;  
  • Fabrício Moreira de Bastos, coronel: 16 anos de prisão;  
  • Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel: 3 anos e cinco meses de prisão;  
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel: um ano e onze meses de prisão.  

Núcleo 4 – data da condenação: 21 de outubro de 2025 

  • Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército: 17 anos de prisão;  
  • Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército: 15 anos e seis meses de prisão; 
  • Marcelo Araújo Bormevet, policial federal: 14 anos e seis meses de prisão; 
  • Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército: 14 anos de prisão;  
  • Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva do Exército: 13 anos de prisão;  
  • Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército: 13 anos e seis meses;  
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal:  7 anos e seis meses de prisão
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